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segunda-feira, 19 de junho de 2017

5 Motivos pelos quais não adoro o Verão


Como tudo na minha vida, até no que diz respeito ao Verão sou uma contradição andante. Se por um lado sinto-me genuinamente mais "animado" com os "dias mais longos", aumento das temperaturas, bronzeados e afins, por outro detesto o calor infernal, suor e preguiça que vêm de arrasto. Foi a pensar neste pequeno complexo existencial que criei uma lista com cinco motivos pelos quais já não morro de amores pela estação mais cobiçada do ano (além dos incêndios, claro).

'1. Calor

Não me dou bem com o calor. Sim, apesar de detestar o frio e apreciar temperaturas mais elevadas, não significa que goste de sentir que estou a caminhar pelo reino de Lúcifer. Escusado será dizer que estes últimos dias têm sido um autêntico massacre. Dormir está quieto e até acordado só me apetece meter-me dentro do congelador. Pensar que ainda existem cretinos que se recusam a acreditar que o aquecimento global existe. Quanto a vocês não sei, mas não consigo funcionar assim. Não dá. Ao menos em casa posso andar em trajes diminutos como se estivesse numa vitrine do Red Light District, mas e quando tiver que sair, ir trabalhar? Só a ideia do que me espera amanhã (escrevi isto ontem à noite) está a deixar-me assustado. 

'2. Suor

A não ser que estejam numa sauna ou a terminar um treino intenso (e mesmo assim tenho as minhas dúvidas), transpirar não é nada agradável. Pior ainda e acabar de tomar banho e sentir que preciso voltar lá para dentro outra vez. Sofro de transpiração fácil desde muito novo, o que por vezes pode condicionar as minhas escolhas de vestuário. Qualquer cor fora do espectro black & white significa nódoas garantidas depois de uma breve corrida para apanhar o metro, comboio, ou simples locomoção pedestre. Se tiver um acontecimento importante para determinado dia, seja no trabalho ou a nível pessoal, tenho que avaliar sempre os riscos das minhas partes de cima. Levar aquela camisa azul que tanto gosto implica não poder correr o dia inteiro, caso contrário vou parecer que saí de uma luta de balões de água. 


'3. Preguiça

A linha entre entusiasmo e preguiça é muito ténue no Verão. Uma música animada é capaz de me dar uma força incrível para enfrentar o meu dia, mas basta as temperaturas passarem o limite do aceitável e baam, modo gelatina activado. Esta condição é tão séria que até quando andava na escola, o terceiro período era sempre aquele em que baixava as notas, precisamente porque não conseguia ficar com o rabo sentado na cadeira sem deslizar como uma folha de papel. Ainda hoje isto acontece-me inúmeras vezes. Fico como uma espécie de cão, às voltas até finalmente se deitar, só que com menos acção e mais suspiros de desespero. Não tenho vontade de fazer nada, nada! Ir à casa-de-banho é toda uma viagem que leva décadas entre um arrastar do chinelo e o outro. Criatividade, vontade de escrever e criar conteúdo, tudo é evaporado como a minha paciência. Ugh, I just can't

'4. Monstro temperamental

Por falar em falta de paciência, sou um perigo nestes meses mais quentes. A sério, devia andar com um letreiro ao pescoço a dizer "cuidado com o cão". Seria de esperar que alguém consumido por preguiça não teria energia para mais nada, mas não é bem assim. Como o Hulk que fica verde com a raiva, a mim acontece-me o mesmo mas em vez de mudar a tonalidade, destilo ofensas dignas de uma letra de rap. Tudo me irrita, a maneira das pessoas falarem, o tom de voz, a respiração, a forma como comem, como não percebem algo simples, tudo! A Marta diz que é a minha versão de TPM, mas mais irritante (questionável, mas como não quero problemas, não me vou alongar). Costumo fazer um esforço enorme para ser extremamente paciente, ainda que por dentro esteja a morrer com a vossa estupidez, mas nesta altura metade do filtro desaparece. Não sei explicar mas começo a arder, literalmente, e só vejo vermelho como um Touro (hey star sign). Não fosse o meu bom senso, já tinha uma lista de inimigos enorme ou ido parar ao hospital por me meter com a pessoa errada. Até ao dia!

'5. Transportes Públicos

Achavam mesmo que ia perder uma oportunidade de voltar a mencionar o meu (des)amor pelos transportes públicos? Se não estão familiarizados com os actos I, II e a edição especial de Verão do "Auto dos Transportes do Inferno", shame on you então esta é para vocês. Se, tal como eu, enfrentam o metro na hora de ponta, considerem-me um amigo. Só não vos abraço porque este calor não permite. Agora a sério, é impossível explicar o sentimento que nos consome quando a porta da carruagem se abre e nos deparamos com uma manada de pessoas no interior. É como se estivéssemos a caminhar para a morte. Em modo sardinha em lata, levamos com o suor, pisadelas e pior, odores indesejados de alguns sujeitos que parecem recusar-se a utilizar desodorizante. Isto para não falar da lentidão que se abate sobre toda a gente. Sim, também fico em modo vegetal mas... não no meio da rua! É como se estivéssemos num corredor interminável de qualquer centro comercial.


Gostam do Verão? Dão-se bem com as temperaturas elevadas?

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #31


Não bastava estarmos em plena época de preparação para exames como ainda há celebrações dos Santos Populares. Realmente, não podia ter escolhido pior semana para "voltar", ah. Para não atrasar ainda mais a quantidade enorme de album reviews que tenho programadas, vamos lá então retomar e em grande, com o quarteto responsável por salvar a música pop em 2017 (vá, ainda falta a Lorde, mas ela que lance o Melodrama e depois falamos).

'1. Katy Perry Witness

A temível maldição do quarto disco voltou a atacar e desta vez a vítima é a Katy Perry. Parece que o mau olhado da cobra Swift resultou, irra. Acontece aos melhores, Beyoncé (4), Rihanna (Rated R) e Lady Gaga (Joanne) e nem a rainha da Candyfornia está imune ao nariz torcido da crítica. Curiosamente, Witness, é o seu trabalho mais ambicioso, coeso e interessante até à data. 

Aquando do lançamento do primeiro single, o politicamente recheado "Chained to the Rhtythm", a cantora descreveu o (na altura) futuro trabalho como "pop com um propósito". A antecipação era muita mas, infelizmente, isso não se verificou no produto final. Um exemplo disso é a escolha questionável de "Bon Appétit"  uma canção dance-pop sem qualquer aparente contexto político, em colaboração com um trio de homofóbicos para segundo single  algo que parecia deitar por terra tudo aquilo que "Chained" promovia. A Katy passou de um discurso socialmente consciente para querer ser "spread like a buffet". Entretanto ela descreveu a mensagem da música como uma "liberação sexual", mas mesmo assim, nada a ver com o inicialmente referido.

Colocando de lado descrições erradas, o que interessa é a componente musical e é nisso que temos que nos focar. Batidas electrónicas pulsantes e instrumentais de piano divinais fez desta Witness uma viagem deliciosa por entre melodias à la '80 mas em modo futurista. Digam o que quiserem, mas há autênticos hinos neste álbum. Ao longo de uma década a Perry tem-nos presenteado com verdadeiros hits  basta olhar para a era Teenage Dream inteira  e, a meu ver, a melhor canção deste projecto é, de longe, a "Roulette", seguida da faixa-título, "Witness", "Déjà Vu" e claro, a destruidora "Swish Swish".

Não seria um Katy Perry record sem uma balada capaz de nos despedaçar o coração e é isso mesmo que a "Miss You More" faz. Numa realização brutal em que a cantora se apercebe que as saudades de um antigo companheiro são superiores ao amor que ela sentiu por ele, é impossível ficarmos indiferentes. Tal como aconteceu em "The One That Got Away" ou "Unconditionally", esta é Katy no seu melhor e ai de quem disser o contrário. Também "Save as Draft" e "Into Me You See" apelam para o lado sentimental mas são poluídas pelo calcanhar de Aquiles da compositora, as letras. Não é segredo que a KP gosta do seu ocasional trocadilho azeitieiro, mas aqui esmerou-se. Digamos que proferir um "open sesame" a meio de um testemunho sentido ou fazer um suspiro dramático antes de dizer que vai... "salvar como rascunho" é absolutamente ridículo.

Fazendo um balanço geral, considero Witness um álbum superior ao Prism que, verdade seja dita, não apreciei muito (a não se por cinco faixas). Este mantém uma linha melódica coesa do início ao fim e, apesar de tudo, cumpre o seu objectivo: agradar os meus ouvidos. Pode não ser o bublegum pop que conhecemos e amamos ou até politicamente eficaz, mas não entendo a perseguição que as cantoras sofrem cada vez que tentam inovar e "mijar fora do penico". Evolução e experimentação são importantes e permitem-nos progredir. Da minha parte, Witness, recebe um Golden Ghostly.


'2. Halsey  Hopeless Fountain Kingdom

A Halsey não estava a brincar quando disse que estava heading straight for the castle. O secretamente soberbo disco de estreia, Badlands (2015), falava de "olhos educados entre as coxas dela" e "fazer sexo no lavatório da casa-de-banho". Em Hopeless Fountain Kingdom, o primeiro álbum de uma cantora a estrear em #1 no top da Billboard este ano, estamos perante uma recriação do romance de Romeu e Julieta, sob um olhar moderno e millenial, como é indicado em "The Prologue". Pois é, se pensaram que a referência ao 'Biggie e Nirvana' na "New Americana" foi atrevida, preparem-se.

Com uma produção digna de uma estrela com anos de carreira, o grande destaque é "Strangers", uma colaboração com a Lauren Jauregui das Fifth Harmony. Um hit instantâneo com sabor à anos 80 e que pode muito bem ser o primeiro dueto de peso (as t.A.T.u eram um grupo) sobre duas mulheres bissexuais a usarem o mesmo pronome de género ao longo da canção como, "she doesn’t kiss me on the mouth anymore".

Há que aplaudir a Halsey por ter criado uma visão romantizada desta narrativa quase poética de amores proibidos e más relações. O único senão é o facto de se notar que ela ainda não encontrou a sua voz enquanto artista. Os ingredientes estão todos lá, mas nota-se a milhas que ela se molda aos produtores e influências. Tanto pode saltar entre o The Weeknd e Avril Lavigne, como Florence & The Machine e até Rihanna  ainda não superei o facto da "Now or Never" ser uma cópia descarada da "Needed Me", mas tenho que admitir que estou viciado na maldita canção, algo que não aconteceu com a versão original.

Tive as minhas duvidas durante muito tempo mas consegui, finalmente, aceitar o timbre da Halsey e posso dizer que estou oficialmente rendido. 


'3. Dua Lipa  Dua Lipa

Até que em fim! Inicialmente previsto para ser lançado em Setembro de 2016, depois adiado para Fevereiro deste ano e mais uma vez adiado até 2 de Junho, habemus Dua Lipa, o álbum. Tenho sido um fiel seguidor da jovem inglesa de origem albanesa desde que lançou a impecável "Be The One" há dois anos atrás, e a cada aperitivo musical, as expectativas só aumentaram. Dito isto, não me pareceu nada bom presságio existirem seis singles oficiais antes do álbum de estreia ter chegado — isto para não falar das colaborações com o Sean Paul ("No Lie") e Martin Garrix ("Scared to be Lonely"). É praticamente metade do corpo de trabalho exposto antes do tempo, perdendo por completo o efeito surpresa. Não faz sentido nenhum. Aliás, isso explica o facto de só ter conseguido alcançar a #5 posição no top do UK. Sacrilégio.

Números e calendários à parte, não podia estar mais feliz por ter finalmente o projecto final em mãos, ou devo dizer, ouvidos? Tendo ouvido tudo do início ao fim umas 200x, confirma-se, a galinha dos ovos de ouro é, sem dúvida alguma, a voz da cantora. Dona de um timbre raspy extremamente edgy e cheio de garra, a Dua tem a capacidade de transformar uma faixa genérica e aborrecida numa aposta vencedora. É incrível!

Para um primeiro trabalho, o veredicto é positivo mas nada do outro mundo. Tem bons momentos mas não chega a fugir ao molde pop existente no mercado. As letras pós-adolescência repletas de questões sobre sexo, amor e empoderamento são actuais, asseguram o interesse do público e são todas da autoria da cantora, o que é um ponto positivo. Além de "Be The One" e "Hotter Than Hell", a mais recente, "Lost In Your Light", em parceria com o Miguel, é uma amostra perfeita de fluidez harmónica entre teclados, bateria e um refrão capaz de meter qualquer um a abanar o pé. Outro standout é a faixa de encerramento, "Homesick". Apoiada de piano, a composição resulta de uma colaboração com Chris Matin, dos Coldplay, que participa na gravação e cujos vocais se fazem ouvir ocasionalmente. Simplesmente mágica.


'4. Allie X  CollXtion II

Sabem quando gostam tanto de um artista underground que quase preferem nem falar muito dele para se manter "vosso" e longe do mainstream? É assim que me sinto com a Allie X. Após ocupar a 3ª posição no meu "TOP 10 EP's of 2O15" com a sensacional colectânea CollXtion I, a jovem canadiana está de volta com o tão aguardado segundo volume, agora em forma de álbum de estreia. Tal como o trabalho antecessor, encontramos um leque de canções sofisticadas, coesas, provocadoras, etéreas e absolutamente avassaladoras. É tudo o que podia querer e mais um bocadinho. Se ainda não perceberam, deixo bem claro, estamos perante um forte candidato ao título de Álbum do Ano.

Numa mistura sónica e visual entre Lady Gaga e Kate Bush, a Allie X é capaz de captar a nossa atenção de uma maneira brutal, deixando-nos suspensos no tempo e espaço. Além de escrever tudo, a cantora também tem créditos de produtora em praticamente todas as canções do disco. Se há coisa que aprecio é quando os artistas tomam o controlo do seu trabalho e não se deixam influenciar por barulho exterior. O resultado está à vista, uma sequência musical genial do início ("Paper Love") ao fim ("True Love Is Violent"). E tenho dito.



OUTROS ÁLBUNS A OUVIR (AQUI)

Já ouviram algum dos quatro álbuns? Qual é o vosso favorito?

domingo, 11 de junho de 2017

Ainda não foi desta. Estou de volta!


Até me custa a acreditar mas esta é a minha primeira publicação deste mês. Não, não morri e nem me passaram por cima com um camião, mas houve dias em que pensei seriamente se isso não seria uma excelente opção. Cue the lights! The drama king is back.

Antes de mais, queria pedir desculpa pela minha ausência. Sei que não preciso, mas sinto que aqueles que me acompanham há alguns anos merecem um esclarecimento para o meu desaparecimento. Se me seguem pelo facebook ou instagram já devem calcular o que aconteceu, se não, deviam. 

No curto espaço de dois meses tive duas crises de amigdalite. Não sei se algum de vocês já passou por isso mas não o desejo a ninguém. Contrariamente ao que podem pensar, pelo menos no meu caso, o pior nem são as dores de garganta que consistem no equivalente a engolir lâminas. O grande problema são mesmos as enxaquecas. Há algum tempo que tenho um post escrito especificamente para este problema e, face aos últimos acontecimentos, deverá sair em breve. 

O lado direito/esquerdo da testa e a nuca são autênticas zonas de guerra onde existem constantes bombas a explodir. A dor é de tal forma forte que só me apetecia chorar e bater com a cabeça na parede para ver se aquilo terminava de vez. E não, não estou a exagerar. Agora imaginem isto durante 7 dias consecutivos. Exacto. Como devem compreender não estava, de todo, com capacidade física e psicológica para chegar ao fim do dia, depois de 9h de trabalho em agonia extrema  sim, porque recebo tão bem que nem tive o privilégio de ficar em casa , e vir para aqui escrever o que quer que fosse. 

Terminada a segunda ronda de antibióticos que, diga-se de passagem, são extremamente fortes para o estômago, começo a pensar seriamente em retirar as amígdalas a ver se me livro desta sina terrível. Tenho lido bastante sobre o assunto, visto uns quantos vídeos de testemunhos pelo youtube, e estou bem ciente da dolorosa recuperação, mas se isso significa reduzir drasticamente o número de amigdalites por ano para 0 ou 1 que seja, bring it on. Prometi a mim mesmo que se tiver uma terceira crise vou falar com o médico sobre isto, mas só a ideia de voltar a passar pelo mesmo já me deixa a tremer de medo. É horrível! Agora pareço as velhotas. Ao mínimo sinal de vento, por muito calor que esteja, lá meto um casaquito para proteger minimamente a zona da garganta e depois toca de voltar a tirar. Não tenho vida para isto. 

Dadas as explicações necessárias para o meu desaparecimento blogosférico, posso-vos assegurar que já estou a 85% e espero recuperar totalmente durante esta semana. É bom que assim o seja que ainda não fui à praia este ano e já sinto falta com este calor infernal!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

MUSIC ⤫ MAY'17 + EUROVISION Playlist


Como outro qualquer mero mortal, o mês em que faço anos é o meu favorito do ano. Caricato, visto que detesto enfrentar o avanço do tempo, mas vá. Para mim, Maio, é muito mais que isso. Representa a Primavera no seu auge máximo, os dias começam a ficar "mais longos" - não é, mas nós fingimos que sim -, as temperaturas a aumentar e... Eurovisão! No meio disto tudo, podemos sempre contar com uma coisa: vários lançamentos musicais.

Não, não vou voltar a dizer que "esta é uma das melhores playlists que fiz recentemente", porque estaria a repetir-me incessantemente, mas acreditem que o pensamento mantém-se. Do Rap ao Pop, passando pelo indie alternativo, até ao K-Pop, há opções para todos os gostos. E já sabem, não há nada que goste mais do que diversidade, seja em que aspecto for.

Apesar do hino destruidor de serpentes de cabeleira loira, aka "Swish Swish" ser a minha jam oficial do momento, não a inclui neste grupo para não repetir a Katy Perry que já nos tinha desejado um "Bon Appétit". Quem "voltou" com tudo foi a Iggy Azalea que, ao lado da Anitta, criaram a canção perfeita para este Verão, "Switch", assim como a minha adorada Kyla La Grange com a fantástica "Violet Blue", e a Margaret com a infecciosa "What To Do".

Por falar em retornos, quem finalmente decidiu presentear-nos com novo material foi o trio HAIM. Continuo rendido à versão ao vivo da "Right Now" e tenho pena que a versão estúdio seja francamente inferior. A Miley Cyrus deixou de fumar erva e teve uma transformação digna de uma Sailor Nashville, com a balada "Malibu". Também a Selena Gomez lançou aquele que é considerado por muitos como um dos seus melhores singles, "Bad Liar", mas a mim aborrece-me.

Continuo viciado na "Get Together" e "Lipgloss", do Drake e Charli XCX, respectivamente, assim como na brilhante "Dead" da Madison Beer. Apesar de não a suportar e me irritar que digam que era a melhor cantora das Fifth Harmony (#justiceforally), tenho que admitir que gosto da "Crying in the Club" da Camela Cabello, como lhe gosto de chamar. Mas é normal que goste, não fosse um mix entre a "Cheap Thrills" da Sia, "Shape of You" do Ed Sheeran e o descaramento total, "Genie In the Bottle" da Chritina Aguilera.

À semelhança do que fiz no ano passado, apresento ainda uma lista bónus com as minhas 20 canções favoritas desta edição da Eurovisão. Se não acompanham o programa e quiserem conhecer artistas desconhecidos do mainstream, têm aqui uma óptima fonte de conhecimento.

    
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #27


SINOPSE: Chris Washington, um afro-americano, vai visitar os pais da namorada que habitam num misterioso subúrbio caucasiano. A visita torna-se cada vez mais estranha e desconcertante para o jovem que rapidamente se apercebe que algo de errado se passa naquela comunidade.

OPINIÃO: Nos dias que correm são raras as produções que conseguem fazer jus à hype, leia-se, The Girl on the Train, mas esta conseguiu triunfar onde muitas erraram. Get Out é um filme de terror psicológico com a capacidade de se tornar num clássico dos tempos modernos. Sem se limitar a recorrer aos habituais truques de luz e som para provocar sustos no público, esta longa vai construindo uma narrativa sólida com personagens fortes e bem desenvolvidos. Algo extremamente raro no género em questão.

Jordan Peele, a mente criativa por trás do guião, escreveu uma premissa com tensões raciais mas extremamente interessante. Embora considere que o trailer dá a entender metade daquilo que vai acontecer, o que quebra um pouco o efeito surpresa. Dito isto, seria um verdadeiro crime caírem no erro de pensar que este é apenas "mais um filme contra racistas". Não é, é muito mais que isso.



SINOPSE: Jamie Fields é um adolescente que vive com a sua mãe, Dorothea, em Santa Bárbara, Califórnia. Abbie é uma estudante de arte e feminista que aos poucos vai utilizando as suas experiências para passar conhecimentos ao rapaz. Já Julie tem uma forte ligação com Jamie mas, apesar de dormirem juntos todos os dias, são apenas bons amigos.

OPINIÃO: 20th Century Women foi uma das razões pelas quais tentei adiar ao máximo a minha lista dos "Melhores Filmes de 2016". Tinha a certeza que quando o visse entraria para o top 20 mas infelizmente não foi disponibilizado a tempo. As expectativas confirmam-se, esta dramedy é fantástica.

Um dos vários factores positivos desta obra é a contextualização da década de '70, numa altura em que a violência não era uma das principais preocupações das pessoas. São pequenos detalhes como, por exemplo, o discurso da "Crise de Confiança" de Jimmy Carter, que elevam a caracterização não só da família como do quotidiano norte-americano.

Sensível e incrível, a narrativa é uma homenagem a todas as mulheres e mães. Aborda a força impressionante do sexo feminino e, ainda que o título remeta ao século 20, a mensagem é intemporal. Destaque ainda para a interpretação de Annette Bening, esse monstro da representação que mereceu sem dúvida alguma a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz com a sua Dorothea.








SINOPSE: O ano é 2029. Já não nascem mais mutantes e Logan vive sob o seu nome verdadeiro: James Howlett, a poupar dinheiro para proteger o cérebro mais poderoso do mundo e que sofre de uma doença degenerativa. O Professor Xavier está demente e as consequências do descontrolo podem ser fatais para a Humanidade.

OPINIÃO: Apesar da X-Men franchise ser uma das minhas favoritas, nunca pensei que tivessem a capacidade de criar algo tão rico como este filme. A sério, ainda estou em choque com a qualidade. Satisfatoriamente violento, a certa altura Logan torna-se numa espécie de roadtrip movie, numa mistura entre os westerns clássicos de Clint Eastwood e a acção distópica de Mad Max. Não perde tempo a fazer um resumo do que aconteceu no passado. É uma história escrita, do início ao fim, para os verdadeiros fãs da saga e não podia estar mais satisfeito.

A relação quase de pai/filho entre o Hugh Jackman e o Patrick Stewart é igualmente dramática e absolutamente ternurenta. A química é tão natural que chega a ser comovente quando nos apercebemos que ambos vão deixar este universo. Sem revelar demasiado, a cena em que vemos Logan a subir com o  Prof. Xavier ao colo, para o deitar, é das mais queridas dos últimos tempos, especialmente num filme de super-heróis!

O final deixa-nos com um nó no peito. Hugh Jackman é e sempre será Logan. Deu corpo e alma a esta personagem e ao fim de 18 anos, despediu-se com chave-de-ouro, no melhor filme alguma vez produzido na franquia.




SINOPSE: Ashley e Verónica encontram-se por acaso numa festa e percebem que as suas vidas tomaram caminhos bem diferentes. Uma é pintora e não tem onde cair morta, a outra é rica e despreza a arte. Rapidamente as antigas hostilidades ressurgem e acabam ao murro, literalmente.  

OPINIÃO: Numa era em que muito se debate a crise de originalidade em Hollywood, é tão bom saber que ainda há quem tente contrariar a norma e construir novos tipos de narrativa. Ignorado por muitos, Catfight é um dos filmes mais originais e interessantes saídos do território norte-americano no último ano.

A dupla brilhante de protagonistas, Anne Heche e Sandra Oh interpretam duas arqui-inimigas e o reflexo uma da outra. Não é por acaso que a história se divida em dois actos reversos um do outro. Uma é artista, a outra não compreende o valor da arte; uma usa o conflito no Médio Oriente como inspiração artística, a outra deixa-se levar pelo interesse financeiro do marido no conflito; mas ambas acabam por ser mulheres solitárias, mesmo quando estão acompanhadas.

Existe um forte elemento de wtf ao longo da trama, mas é precisamente isso que me fez adorar este filme. O duo anda à luta três vezes e o desfecho aponta para um empate técnico, se bem que a vitória é das actrizes que estão soberbas tanto na vertente emocional como na comédia negra.


Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

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