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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Zoo Blogosférico | 5 Tipos de Bloggers


1. Camaleões

Aparentemente inofensivos, os camaleões são aqueles que vos atacam pela calada. Originalidade é um conceito que não conhecem. Quando menos esperarem, descobrem que foram clonados por eles. Existem diferentes estágios na mudança de padrões. Numa fase inicial, começam por pegar em temas específicos, com o mesmo ângulo, que já tinham sido desenvolvidos, depois passam para o roubo de identidade ao escreverem como vocês e a utilizarem expressões características. Até podem não fazer ideia do que estão a falar mas se lhes parecer bem, é o suficiente. Bloggers com menos público são a presa perfeita porque assim ninguém vai desconfiar e ainda recebem louros pela genialidade "deles". Barf.

2. Pavões

Esta é provavelmente a maior classe de animais na blogosfera portuguesa. Aliás, a família é de tal modo considerável que por vezes são confundidos com os ratos pela rapidez com que se reproduzem. No entanto, os pavões são diferentes. A sua concepção involve uma pitada de narcisismo, falta de noção e uma confiança incrível. Não interessa a aparência física ou classe social, o importante é abrirem o leque de penas e mostrarem uma aparente imagem que por vezes não corresponde de todo à realidade. Eles andam por aí em qualquer calçada lisboeta ou parque com arvoredo artística o suficiente para merecer uma passagem de modelos.

3. Lapas

Podem ser marítimas mas garanto-vos que atacam em qualquer lado. Sabem aquelas pessoas desesperadas por agradar alguém que consideram ser relevante só para cair nas suas graças? É tão triste que chego a sentir pena, a sério que sim. Não sei se é falta de amor próprio ou pura tacanhice que as motiva, mas é uma pena que recorram a esse tipo de meios para entrarem no radar de certos indivíduos. Nunca faltam os elogios exagerados e declarações de amor como se de um Salvador da pátria se tratasse. Nas noites de lua cheia até lançam pétalas ao vento com esperança que aquela blogger repare nelas.

4. Corujas 

A voz da razão nesta algazarra animalesca. Anos luz à frente dos pequenos vermes que nem uma frase sabem construir, as corujas são o perfeito oposto. Escrevem que se farta e de uma maneira muito correcta, por vezes quase aborrecida. Podemos sempre contar com a sua sabedoria, bondade e apoio. Geralmente são pessoas "queridas" (no sentido literal e não irónico da palavra) entre a blogosfera e imparciais a eventuais dramas entre classes. Claro que sabem de que lado está a razão, mas se possível vão tentar manter-se quietas no seu canto enquanto os outros se matam.

5. Focas

O conceito "normal" não é propriamente realista quando estamos a analisar pessoas mas, dentro do panorama animal, as focas são o que mais se aproxima. Podem ter mil e uma personalidades, umas mais dóceis, outras mais resmungonas e outras mais... lentinhas. Há um pouco de tudo. Tanto se podem limitar a nadar e apanhar peixes sem chatear ninguém,  como sentem a necessidade de comprar guerras que não lhes pertencem. À partida picam o ponto, isto é, escrevem posts e vão à vida deles. Arrisco-me a dizer que, tal como eu, muitos de vós se inserem nesta categoria e não se sintam mal por isso. Tendo em conta as opções, podiam estar pior servidos. 


Conhecem bloggers destes 5 tipos? Em que grupo é que vocês se inserem?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

MUSIC ⤫ NOV '17 Playlist


Nada como uma playlist para encerrar oficialmente o capítulo "Novembro". Com imensos lançamentos no panorama musical, havia muito por onde escolher mas fiquei-me por aquelas que mais vezes passaram pelo meu radar.

Se havia dúvidas que as irmãs Aly & Aj tinham voltado para recuperar a coroa do pop, foram completamente esmagadas com o lançamento do sensacional novo single, "I Know". A P!nk conquistou-me com a fantástica "Beautiful Trauma" e, por muito que me custe admitir, a "Call It What You Want" da Ssswift é pretty good. A Lauren Jauregui continua a aventurar-se no mundo das parcerias, desta vez com o Steve Aoki, em "All Night", e a Miss American Idol, Kelly Clarkson, ofereceu-me um dos meus guilty pleasures com a "Would You Call That Love".

Demi, Demi, Demi. Deves ter sido terrível em outra vida para estar a pagar tudo nesta. Após criar o melhor álbum da sua carreira, nem uma única nomeação conseguiu receber para os Grammys? Poupem-me. Não faz sentido nenhum e sinceramente só descredibiliza ainda mais a cerimónia que há muito se converteu num concurso de popularidade. Ao menos ficamos com canções efémeras como "Tell Me You Love Me" ou a inesperada "Échame La Culpa" com o Sr. Despacito.

O Ed Sheeran voltou a presentear-nos com a sua especialidade, cheesy songs, e não é que resulta? "Perfect" é daquelas coisas irritantemente fofinhas que ficam presas aos nossos ouvidos e não arredam pé. A Tove Lo continua na sua viagem pelo mundo dos ácidos em "Disco Tits", os N.E.R.D. regressaram com a ajuda da Rihanna em "Lemon", enquanto o Eminem se juntou à Beyoncé numa parceria que tinha tudo para ser explosiva e se revelou uma valente trampa, "Walk On Water".

Enquanto me recomponho da ampulheta da Ana Malhoa, convido-vos a seguirem a página do Ghostly Walker no Spotify! 

Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Sr. Ricardo


Estou a entrar naquela altura crítica em que os vintes começam a escassear e os trinta a aproximar-se de mim como a boca de uma velhota cheia de manteiga, pronta para me beijar (sim, já me aconteceu mas isso é uma história para outra altura). É a lei natural da vida e já me mentalizei disso. Mas, por favor,  não me tratem por Senhor.

A conotação educada que o termo carrega é agradável, especialmente quando queremos respeito de algum badameco, mas o peso que nos coloca em cima dos ombros é que nem tanto. Poupem-me os discursos motivadores da malta de 19 anos ou de quem não tem qualquer tipo de problema com o avançar da idade. Bom para vocês, mas não sou assim.

Uma criança de 5 anos perguntar-me se tenho 44 é um golpe agridoce porque apesar de hilariante, não deixa de ferir ligeiramente. Agora, quando jovens na minha faixa etária interagem comigo como se fosse um centenário de cartola e relógio de bolso, é preferível deixarem-me logo no jazido. 

Ainda há coisa de dias, em pleno ginásio, um rapaz virou-se para mim e perguntou "desculpE, posso intercalar conSIGO?"  porque é que isto agora me está a soar dirty? Continuando, fiquei a olhar para ele do género,  estás a falar a sério? Se for preciso és mais velho que eu. Epá sei que no contexto em que estava inserido não estou propriamente no meu melhor, mas bolas, tenho um ar assim tão acabado?!

Não sei que vos diga mas fico satisfeito por saber que não sou o único que fica com um tique nervoso nos olhos quando passa por isto. Já uma ou duas pessoas partilharam comigo este sentimento de "revolta" mesmo sabendo que, na maioria das vezes, as pessoas apenas querem ser educadas e não existe nada de errado nisso. Dito isto, a vida já se encarrega de nos envelhecer com o stress, preocupações e obrigações, não é preciso ajudarem à festa.


Incomoda-vos que vos tratem por Sr's / você?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #37


MUST LISTEN:
⤫ END GAME
⤫ CALL IT WHAT YOU WANT

⤫ GETAWAY CAR

1. Taylor Swift Reputation

Prezo muito a imparcialidade no que toca a reviews, portanto vou tentar ao máximo separar a minha opinião, digamos menos positiva, sobre a cantora em questão e o respectivo disco. Três anos desde que lançou 1989, o álbum que marcou o abandono das raízes country e entrada oficial no mercado pop, a Taylor Swift está de volta com Reputation. O "polémico" retorno é marcado por uma suposta mudança de atitude, de menina inocente para bad girl. O resultado é... triste.

Repleto de elogios da crítica, possivelmente por medo de represálias pela nova representante do lápis azul, versão musical, o certo é que este novo rumo da jovem norte-americana não é nada mais que uma caricatura já explorada uma série de vezes dentro do género. A sua interpretação de "bad" parece ficar-se pelo uso de batidas típicas de hip-hop para criar um ritmo pesado, upbeat, e causar impacto. O problema é que não existe qualquer originalidade no processo, tudo soa a algo já existente, antigo, ultrapassado. Aliás, cada uma das 15 faixas parece igual à anterior, criando uma espécie de confusão por nem nos apercebermos se já passámos para a próxima ou ainda estamos a ouvir a mesma.

Além de não convencer ninguém nesta sua personagem altamente artificial, a Ssswift conseguiu a proeza de criar música preguiçosa, apoiada de refrões fáceis e uma produção tão exagerada que nos faz querer perguntar "are you okay, sweety?". Tendo em conta os números astronómicos de vendas, diria que se confirma algo que há anos se apregoa, o público é mesmo estúpido. Ainda assim, o que realmente me incomoda é ver críticas elogiarem a evolução da Taylor como compositora. Não só continua com uma escrita bem medíocre e extremamente infantil, como quando comparamos com obras-primas como Melodrama, da Lorde, chega a ser hilariante a drástica diferença de qualidade lírica.

Nem tudo está perdido, por entre este vale de fachadas existem pequenas pérolas como "End Game", "Call It What You Want" e até a mega-cliché "Gateway Car".


MUST LISTEN:
⤫ BEAUTIFUL TRAUMA
⤫ WHATEVER YOU WANT
⤫ BUT WE LOST IT
⤫ WHAT ABOUT US

Se há cantora consistente no que toca à entrega sucessiva de música e vocais com qualidade, é a P!nk. Uma pena que ela não receba nem metade do crédito que merece. Confesso que não tinha propriamente grandes expectativas em relação a este Beautiful Trauma, mas ela conseguiu calar-me enquanto me esbofeteava com os receipts.

No sétimo disco da sua carreira, a eterna rebelde, presenteou-nos com histórias bem pessoais, como a sua indignação face a actual situação política nos EUA, ou a dependência a relacionamentos amorosos destrutivos. No que toca a este departamento, ao contrário de outras colegas de profissão, a P!nk é extremamente sincera e consegue conectar-se com qualquer pessoa. O facto de abordar relações na sua fase mais negra, como a carência e o medo de ficar sozinha que podem prender uma pessoa a um parceiro abusivo, é algo que raramente ouvimos passar nas rádios.

Embora se mantenha na sua zona de conforto e não haja propriamente grande inovação, o certo é que isto é P!nk no seu melhor. No que toca à componente sonora, é um verdadeiro melting pot. Tanto temos canções com instrumentais mais pesados como outros mais leves, com influências que vão do pop-rock ao R&B e até folk.


MUST LISTEN:
⤫ WOULD YOU CALL THAT LOVE
⤫ MEANING OF LIFE
⤫ MEDICINE
⤫ LOVE SO SOFT

Desde a sua vitória na primeira edição do American Idol, em 2002, a Kelly Clarkson tornou-se numa das cantoras mais talentosas da sua geração. Quinze anos depois, a norte-americana lançou o seu oitavo álbum de estúdio, Meaning of Life, o primeiro pela Atlantic Records, o que lhe concede mais liberdade e autonomia para tomar decisões. Good for you!

Distinto dos seus outros trabalhos, mais direccionados para o pop comercial, aqui ela apresenta uma sonoridade mais soul/R&B, concretizando um desejo de longa data. Basicamente é o álbum que ela sempre quis fazer, mas não podia devido a restrições contratuais. 

Aqui entre nós, como a abécula que sou, quando soube da mudança de géneros, fiquei apreensivo. Digamos que "Behind These Hazel Eyes", "Because of You" e "My Life Would Suck Without You", são as minhas jams! Felizmente não havia qualquer razão para isso. Meaning of Life possui poucos momentos fracos, revelando-se como a produção mais coesa que alguma vez lançou. Cheia de sass, é com bastante alegria que vejo uma Kelly na melhor fase da sua vida, em pleno.

MUST LISTEN:
⤫ HIM
⤫ PRAY
⤫ BURNING
⤫ NOTHING LEFT FOR YOU

O Sam Smith voltou com tudo no segundo disco da sua carreira, The Thrill Of It All, e eu não podia estar mais satisfeito. Repleto de mais histórias de desilusão e amor não correspondido, algo está diferente. Ao contrário da sensacional estreia In The Lonely Hour (2014), o jovem de 25 anos agora canta um discurso mais forte e confiante, algo que se reflecte positivamente na música.

No leque de 13 canções, destacam-se duas pela sua genialidade e ousadia musical: "Pray" e "HIM". A primeira é o exemplo mais nítido da sua potência vocal, especialmente quando ele consegue superar o coro, que por si só já é fantástico o suficiente, e estender as notas de tal maneira que outros só conseguiriam através de plugins, se é que me entendem.

Em "HIM", o Smith declara o seu amor por outro homem e aceitas as consequências que isso acarreta. É, de resto, a sua afirmação lírica mais arrojada, "Don't you try and tell me that God doesn't care for us. It is him I love, it is him I love." A mensagem é poderosa e capaz de emocionar até um céptico.

Nem um álbum tão bom como The Thrill Of It All está imune a um ou outro ponto maçador, mas são coisas tão triviais que, a voz distinta do Sam consegue apagar por completo.


(+) ALBUM REVIEWS (HERE)

Já ouviram algum dos quatro álbuns? Qual é o vosso favorito?

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