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quarta-feira, 1 de março de 2017

5 Super-poderes que adorava ter


Esta publicação estava em gestação à tanto tempo que resolvi trazê-la ao mundo de uma vez por todas. Embora não seja o meu género cinematográfico ou televisivo de eleição, a verdade é que sempre me fascinou imenso a diversidade ficcional de "super-poderes" existentes. Confesso que ao longo dos anos foram muitos os minutos que perdi a imaginar-me com esta ou aquela habilidade sobre-humana. Elaborei uma pequena lista com cinco dos que considero essenciais. Também gostava, mas exclui a possibilidade de conseguir voar por ser o mais popular/óbvio de todos.

#1. Controlar o Tempo

Sem dúvida alguma que o poder que mais gostaria de ter é o controlo do tempo. Não, não me refiro a decidir se faz sol ou chuva, mas sim de parar, andar para a frente e para trás tudo e todos. Como sou uma pessoa responsável, juro que não ia utilizar as minhas habilidades para roubar. Por outro lado, imaginem estar no meio de uma discussão com um ser desprezível e fazer uma pequena pausa para lhe dar um estalo e depois voltar ao tempo real? Amazing. Sempre ouvi dizer que alterar o passado pode trazer consequências gravíssimas para o futuro, mas visto que era eu a controlá-lo, tinha muitas oportunidades de remediar qualquer incidente de percurso. Já pensaram que além de podermos antever situações, podíamos precaver ou reviver outras e claro, voltar a ver pessoas que já nos deixaram. Podem ter a certeza que uma das primeiras visitas era ao meu adorado Scooby. Miss you buddy.

#2. Telekinesis

Lá no topo das minhas escolhas está a telekinesis, isto é, a capacidade de manipular e controlar objectos com a mente, podendo levitar, mover, atirar ou até parti-los. Preparem-se para uma confissão vergonhosa. Devido a filmes e séries do género, quando era mais novo fazia sessões intensas de concentração para ver se conseguia mexer alguma coisa com a mente. Ás vezes ainda tento. Pronto, já disse. Riam-se à vontade, mas um dia hei de conseguir ha! NOT. Para uma pessoa preguiçosa como eu, este poder ia revelar-se uma valente ajuda. Estou na cama e queria a minha garrafa de água que está em cima da mesa. Não há problema. Numa questão de instantes, podia "chamá-la" até mim sem ter que sair do vale dos lençóis. Num contexto mais sério, poderia salvar imensas pessoas no caso de uma catástrofe e defender-me em caso de ataque. Já não ia precisar de utilizar o meu guarda-chuva como protecção.

#3. Invisibilidade

A lista de coisas que podia fazer com este super-poder é tão extensa que nem vale a pena perder muito tempo a explorá-la. Desde apanhar pessoas em flagrante (seja a falar mal de mim ou a cometer um crime), espiar ou simplesmente observar porque sim, ser invisível no sentido literal, é fantástico. O meu único medo era não conseguir voltar ao normal. Bem, se calhar um manto de invisibilidade como o do Harry Potter também servia, se bem que no Verão seria muito abafado e nada prático. Mas enfim, melhor que nada.

#4. Teletransporte

É preciso explicar? Penso que qualquer leitor das minhas odisseias pelo mundo dos transportes públicos (AQUI e AQUI) percebe o quão bom seria se nos pudéssemos materializar de um local para o outro. Além de poupar IMENSO dinheiro, acabavam-se os metros em modo sardinha em lata, com pessoas repugnantes a roçarem-se em nós, a tossirem sem a mão à frente e outras javardices que lhes são características. Terminavam os atrasos, além de poupar muito mas muito tempo  saio todos os dias do trabalho por volta das 18h15 e segue-se uma longa viagem até à margem sul  e conseguir ter uma vida pós-horário laboral, podia visitar o mundo inteiro. Neste prisma tinham que existir regras. Ao fim ao cabo, também não queria que alguém aparecesse no meio do meu quarto do nada, hell no. Desde que existisse uma espécie de permissão para a "visita", tudo controlado. Tinha dado imenso jeito neste ano que passei longe da minha namorada. Apetecia-me vê-la em Madrid, dava lá um saltinho, literalmente, e ainda voltava a tempo de jantar em casa. Ah, quem me dera!

#5. Telepatia

Devem ter percebido que tenho uma certa obsessão com os poderes da mente. Não tenho culpa que sejam os mais interessantes e eficazes. A telepatia é provavelmente das habilidades mais completas de sempre. Para quem não está familiarizado, primeiramente, é a capacidade de ler pensamentos de outros ou comunicar-se mentalmente com eles. Também permite alterar a percepção dos outros em relação a nós, nomeadamente, o aspecto físico; curar traumas, ao apagar memórias terríveis, e claro, controlo/possessão mental. Antes que questionem o meu sentido de moralidade, vão dizer que não era óptimo poder travar alguém como o Trump? Bem me parecia.


Se pudessem, que super-poderes gostavam de ter? Temos algum em comum?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

MUSIC ⤫ FEB'17 Playlist


Estamos novamente naquela altura do ano que adoro, Carnaval. Sim, estava a ser irónico e não, não tinha planos sem ser com a minha cama e séries. Dito isto, não contava ser uma das únicas pessoas a trabalhar em pleno dia de Entrudo. A sério, tenho uma sorte tremenda. Ugh. Para combater as más energias e o frio que se voltou a apoderar deste nosso país, porque não uma playlist?

Pela primeira vez em muito tempo, a quantidade de canções que tinha à disposição era largamente superior às 20 do costume. Para quem não sabe, estabeleci esse valor como uma espécie de limite aplicável a todas as minhas listas musicais. Como não gosto de repetir faixas de playlist para playlist, o cardápio que aqui vos apresento não é de todo a única no meu menu. Apesar de me parecer evidente, nunca é de mais relembrar.

Assim sendo, Fevereiro foi marcado pelo regresso triunfante da minha adorada Lana Del Rey e a sublime "Love" — a fazer lembrar a época do meu álbum preferido, o Born To Die. Também a Katy Perry presenteou-nos com a sua "Chained To The Rhythm", repleta de mensagens políticas relevantes. Embora não seja daquelas que ouvimos uma vez e ficamos apaixonados, ao fim de umas três vezes já estava viciado. Quem também voltou foi a Lady Gaga... mas sem a Joanne. Num videoclip alucinante para o single "John Wayne", a cantora lá fez a vontade aos fãs e ofereceu-nos tudo aquilo que nós queríamos. Praise the Lord.

Encerrando o capítulo comebacks, temos ainda os Maroon 5 com mais uma aposta mainstream mas eficaz, "Cold", os Goldfrapp com "Anymore", e a Missy Elliot com "I'm Better". A Zara Larsson continua imparável e a lançar canção atrás de canção, agora com a "So Good" — só é pena que não sejam nada boas —; a colaboração do DJ Martin Garrix com a Dua Lipa em "Scared To Be Lonely" não inova mas fica colada na nossa cabeça, tal como a dos Lost Kings com a Tinashe em "Quit You" ou "Big Picture" dos meus London Grammar.

Com a Primavera a chegar, é de música animada que preciso e esta playlist é perfeita para isso. Para não perderem nenhuma actualização e, possivelmente, conhecerem músicas novas, já sabem: sigam a página do Ghostly Walker no Spotify!


Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

OSCARS 2O17 — Um Desfecho Insólito


Com um desfecho digno de uma novela mexicana, a 89ª Edição dos Óscares teve um momento à la Miss Universe ao anunciar erradamente a vitória de La La Land como "Melhor Filme", em vez de Moonlight. Que amadorismo.

Confirmando as expectativas, o musical que entrou para a história como um dos filmes mais nomeados de sempre (14), ganhou 6 estatuetas, incluindo "Melhor Actriz" (Emma Stone), "Melhor Realizador" (Damien Chazelle), "Melhor Fotografia""Melhor Banda Sonora" e "Melhor Canção Original" (City of Stars). A partir do momento em que anunciaram a ausência da Portman tive a certeza que a vitória seria da Emma. Se merecia mais que a Natalie (Jackie) ou a Isabelle Hupert (Elle)? Não. Mas não deixa de ser uma prestação muito comovente e sincera. Além do mais, a humildade que teve no discurso de aceitação fizeram-me gostar ainda mais dela.

Moonlight ficou com três Óscares. Além do melhor filme, ganhou o previsível e merecido troféu de "Melhor Actor Secundário" (Mahershala Ali), e ainda "Melhor Argumento Adaptado". Se bem se recordam, La La Land e Moonlight ocuparam as duas primeiras posições, respectivamente, na minha lista de melhores longas-metragens de 2016. Portanto sim, estava a torcer com todas as forças pela produção dos "loucos sonhadores", fiz uma festa quando anunciaram a vitória e fiquei destroçado com a vergonha que passaram em palco a seguir. 

Por muito que adore a obra de Barry Jenkins, para mim a do Chazelle merecia mais. Pode não tratar um tema tão dramático ou sério como o principal rival, mas mexeu imenso comigo. Basta lerem a minha crítica ao filme para perceberem como fiquei "afectado" por esta obra. Não tenho qualquer dúvida que em outros anos, sem a sombra da política de Donald Trump a pairar sobre o mundo, La La Land teria varrido a competição ao estilo de Titanic, e levar 11 Óscares para casa. 


Nas restantes categorias de representação, o predador sexual Casey Affleck venceu o Óscar de "Melhor Actor" por Manchester By The Sea  para meu desagrado e da Brie Larson (vencedora do Óscar de "Melhor Actriz" por Room, no ano passado), que ao longo da award season não escondeu a cara de desprezo ao anunciar consecutivamente o nome dele , enquanto a fantástica Viola Davis foi considerada a "Melhor Actriz Secundária" pelo seu papel em Fences. Após três nomeações, até que enfim a actriz norte-americana foi distinguida pela Academia. Como referi na minha review, Fences pode não ser a longa-metragem mais memorável, mas deveria servir como um manual de representação por parte dos protagonistas. A meu ver, Denzel foi roubado.

No departamento de animação não houve surpresas com Zootopia a ganhar o prémio de "Melhor Filme"  é bom, mas Kubo and the Two Strings é uma obra-prima  e Piper o de "Melhor Curta-Metragem". Hacksaw Ridge venceu nas categorias de "Melhor Edição" e "Melhor Mistura de Som"; Arrival "Melhor Edição de Som".

Os "Melhores Efeitos Visuais" foram para o justo vencedor, The Jungle Book; Fantastic Beasts & Where To Find Them foi considerado o filme com o "Melhor Guarda-Roupa"  preferia Jackie —, enquanto "Melhor Cabelo & Maquilhagem" para o terrível Suicide Squad. Sim, aquele dejecto cinematográfico venceu um Óscar e o brilhante Lion ou o marcante Jackie saíram de mãos a abanar. Sem palavras.


Como não podia deixar de ser, as referências políticas ao longo da gala foram constantes e bastante inteligentes. O anfitrião Jimmy Kimmel lançou farpas a Trump ao longo das suas intervenções, chegando mesmo a enviar-lhe duas mensagens pelo Twitter, a perguntar se estava acordado e a avisar que a Meryl Streep dizia "Olá"  recordo que o Presidente dos EUA tem um longo historial de criticar a cerimónia e mais recentemente disse que a Streep era uma actriz extremamente sobrevalorizada. #byefelicia.

Os autores de Moonlight recordaram a luta da principal associação de Direitos Civis, a ACLU (representada por aquele lacinho azul que algumas celebridades usavam ao peito), que está a tentar impedir as ordens executivas de Donald Trampa nos tribunais, e o actor Gael Garcia Bernal, enquanto mexicano e latino, afirmou ser contra qualquer tipo de muros.

Ainda assim, quem calou tudo e todos foi a declaração lida por uma cientista iraniana residente nos EUA em nome de Asghar Farhadi. Vencedor do segundo Óscar na categoria de "Melhor Filme Estrangeiro" com The Salesman  anteiormente por A Separation (2012)  o realizador não esteve presente por respeito a todos os cidadãos das seis nações impedidas de entrar nos Estados Unidos devido a "uma lei inumana". Momento que mereceu uma das várias ovações da noite.

Nesta linha de pensamento, aquando da entrega do prémio para a "Melhor Curta-Metragem Documental", The White Helmets, o realizador Orlando von Einsiedel leu uma declaração de mais um ausente, o líder dos capacetes brancos sírios, lembrando os civis salvos pela sua organização e apelando à paz no mundo.

De uma maneira geral, adivinhei mais de metade dos vencedores, concordei com uns, discordei com outros, mas não posso negar que foi das melhores edições dos últimos anos. Reparei foi numa coisa. É o terceiro ano consecutivo que o meu filme favorito perde para o "querido da crítica"  Boyhood perdeu para Birdman em 2014, Mad Max: Fury Road para Spotlight no ano passado, e agora La La Land para MoonlightENOUGH! Só queria era que também chovessem doces, bolachas e donuts em cima de mim. A boy can only dream.

Melhor Filme
Vencedor: La La Moonlight
PREVISÃO: MOONLIGHT
PREFERIDO: LA LA LAND

Melhor Actor
Vencedor: Casey Affleck - Manchester By The Sea
PREVISÃO: CASEY AFFLECK
PREFERIDO: DENZEL WASHINGTON (Fences)

Melhor Actor Secundário
Vencedor: Mahershala Ali - Moonlight
PREVISÃO: MAHERSHALA ALI
PREFERIDO: MAHERSHALA ALI 

Melhor Fotografia
Vencedor: La La Land 
PREVISÃO: MOONLIGHT ou SILENCE
PREFERIDO: MOONLIGHT ou LA LA LAND

Melhor Filme Animação
Vencedor: Zootopia
PREVISÃO: ZOOTOPIA
PREFERIDO: KUBO & THE TWO STRINGS e ZOOTOPIA

Melhor Documentário
Vencedor: O.J. Made in America
PREVISÃO: O.J. MADE IN AMERICA

Melhor Realizador
Vencedor: Damien Chazelle - La La Land
PREVISÃO: DAMIEN CHAZELLE ou BARRY JENKINS
PREFERIDO: DAMIEN CHAZELLE e BARRY JENKINS

Melhor Actriz
Vencedora: Emma Stone - La La Land
PREVISÃO: EMMA STONE ou NATALIE PORTMAN
PREFERIDA: ISABELLE HUPPERT, NATALIE PORTMAN e EMMA STONE

Melhor Actriz Secundária
Vencedora: Viola Davis - Fences
PREVISÃO: VIOLA DAVIS
PREFERIDA: VIOLA DAVIS e NICOLE KIDMAN (Lion)

Melhores Efeitos Especiais
Vencedor: The Jungle Book
PREVISÃO: THE JUNGLE BOOK
PREFERIDO: THE JUNGLE BOOK

Melhor Canção
Vencedor: City os Stars - La La Land
PREVISÃO: CITY OF STARS
PREFERIDA: CITY OF STARS e AUDITION (La La Land)

Melhor Filme Estrangeiro
Vencedor: The Salesman
PREVISÃO: THE SALESMAN
PREFERIDO: TONI ERDMANN

*A lista completa de vencedores e nomeados AQUI.


Viram a gala dos Óscares? Os vossos favoritos venceram?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Belo Adormecido


Por esta altura não é segredo nenhum que a minha relação com o sono é tudo menos harmoniosa. O que talvez desconheçam é que os atritos existem desde o meu nascimento. Pois é, a lenda do bebé capaz de passar dias sem dormir correu os sete reinos lisboetas. Na altura, a única solução que encontraram para acalmar esta pobre alma atormentada era manter-me constantemente no colo de alguém. Independentemente do local, assim que me pousavam, as sirenes ligavam de tal maneira que se geravam multidões à porta de casa, de tochas e forquilhas em punho. Contrariamente aos outros seres adoráveis, eu não parava com o tempo. Nunca. Parava. De. Gritar. #sorrymom

Vinte e quatro anos depois, não preciso deitar-me ao colo de ninguém para adormecer e tão pouco tenho pessoas a rezarem para que caia de cabeça no chão (espero eu), mas sono descansado tá quieto. Mesmo que consiga adormecer a horas decentes, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que acordei a sentir-me descansado e em paz. Em 90% das ocasiões acontece precisamente o contrário. Desperto com uma sensação de cansaço enorme e sem vontade de meter os pés no chão. Resultado, passo o resto do dia a tombar de sono. 

Como referi anteriormente, seja em pé à espera do metro ou sentado à secretária, no trabalho, dou por mim a cair em queda-livre. Se quiserem desfrutar de um espectáculo acrobático electrizante que consiste no vai-não vai da minha cabeça em relação ao colo do passageiro da frente, passem por um comboio da Fertagus ao final da tarde. Não se vão arrepender. A sério, se soubessem a quantidade de situações em que colegas passam por mim e me apanham a fechar os olhos, é alarmante. Até já tenho a alcunha de "Belo Adormecido", fantástico. Not.

A verdade é que sempre considerei o acto de "dormir" um valente desperdício de tempo. A quantidade de horas perdidas que podiam ser utilizadas para fazer qualquer coisa produtiva é algo que me incomoda desde a adolescência. Dito isto, é óbvio que compreendo a necessidade que o nosso corpo tem de recarregar energias e quando já estou a dormir, claro que me sabe muito bem. Por isso mesmo é que me irrita viver neste ciclo vicioso de noites em claro e dias aos cochilos. É terrível e até em termos de aproveitamento, consegue ser um verdadeiro desafio. Cada vez mais compreendo o porquê de alguns espanhóis ainda fazerem a sesta a seguir ao almoço. 

Por vezes chego ao ponto de me deitar tarde de propósito para que no dia seguinte esteja de tal modo cansado que apago por completo, sem ter que lutar com as insónias. Super saudável, eu sei. Já me sugeriram comprimidos para dormir mas recuso-me a utilizá-los. Sinceramente penso que seria pior a emenda que o soneto. Ainda ficava viciado naquilo, no thanks. Preciso é de aprender técnicas e métodos, além do meu adorado ASMR, para me acalmarem a ponto de navegar pelo vale dos lençóis sem complicações.

Ler, andar, ouvir música, ver um filme, comer, nada resulta. Claro que se começar a ver qualquer coisa na televisão, eventualmente adormeço, mas não me serve de nada se isso acontecer às 2 ou 3 da manhã habituais. Como a probabilidades de meditar/fazer yoga são praticamente nulas, e confesso que isso me deixa ainda mais irritado, o mais certo é este ser o pretexto que preciso para finalmente começar a ir ao ginásio. Quem sabe se o desgaste físico não é o necessário para me fazer dormir que nem um bebé (comum)?


Adormecem com facilidade? Alguma vez sofreram de insónias? Passam o dia cheios de sono?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #27


1. Kehlani  SweetSexySavage
MUST LISTEN: DISTRACTION | UNDERCOVER | ADVICE | DO U DIRTY | THANK YOU

SweetSexySavage é o título perfeito para descrever o primeiro álbum de estúdio da Kehlani. Produzido durante dois anos, o sucessor da mixtape You Should Be Here (2015), indica um crescimento enorme. Por entre batidas e versos que se dividem entre a sexualidade, romantismo e melancolia, somos convidados a espreitar a mente e conflitos internos da cantora.

Claramente influenciado pelo seu período de recuperação  em 2016 a Kehlani foi internada após uma tentativa de suicídio , o disco abre com uma espécie de pedido de desculpas, "My condolences to anyone who has ever lost me". Sim, são passagens de uma alma atormentada, mas sem nunca cair no erro de se tornar num registo sufocado pelo caos em que a sua vida se tornou. Com um cuidado enorme na produção e entrega dos versos, a honestidade e sensibilidade em cada uma das 17 faixas é refrescante.

Além de uma evidente homenagem ao disco CrazySexyCool das TLC (1994), o som da Kehlani navega por entre o R&B/Soul produzido no final da década de 1990 e início dos anos 2000, inspirando-se em artistas como Aaliyah. O único ponto negativo é a duração do álbum. Com temas tão carregados de sentimento e experiências pessoais, 60 minutos é demasiado tempo para conseguir absorver tudo com atenção.

2. Austra  Future Politics

A Katie Stelmanis e os parceiros Maya Postepski, Dorian Wolf e Ryan Wonsiak são mestres na arte de saber exactamente o tipo de sonoridade que querem alcançar enquanto Austra. Future Politics, terceiro e mais recente álbum do grupo canadiano, mantém a vibe electrónica dos antecessores, Feel It Break (2011) e Olympia (2013), servindo como plataforma para um som mais complexo e refinado.

Inspirado em filmes de ficção científica e manifestos políticos, Future Politics, é uma espécie de mistura entre o passado e o futuro que acaba por ser extremamente relevante tendo em conta acontecimentos políticos desastrosos como a última eleição presidencial norte-americana. Estamos perante um cenário urbano e caótico, fruto da contínua interferência humana e excessos causados pela sociedade de consumo. Chega a ser arrepiante ouvir esta colecção semi-melancólica de canções marcadas pelo isolamento e angústia. Apesar de tudo, a mensagem geral é optimista e apresenta soluções, sendo a mais importante cuidarmos de nós próprios.

Como sempre, além das batidas hipnotizantes, o grande destaque do projecto é a voz angelical da Stelmanis. Num registo pop-ópera a fazer lembrar a Kate Bush ou mais recentemente, Aurora, a cantora canadiana consegue dar uma dimensão e significado incrível às letras. Aconselho-vos vivamente a ouvir as faixas que destaquei como "MUST LISTEN".

3. Bebe Rexha  All Your Fault Pt. 1
MUST LISTENI GOT YOU | ATMOSPHERE | F.F.F.

O campeonato de adiamentos foi finalmente decidido e a Dua Lipa levou a taça. Dois anos desde o EP I Don't Wanna Grow Up (2015), a Bebe Rexha lançou o disco de estreia mas with a twist. Dividido em duas partes, All Your Fault Pt. 1, marca uma nova era para a cantora norte-americana.

Decidida a quebrar o mercado mainstream, a Bebe sofreu uma metamorfose ao estilo das Stepford Wives. É caso para dizer, "quem a viu e quem a vê". De peruca loira e trajes diminutos da praxe, não foi só a imagem dela que mudou. Também o som evoluiu para um R&B com pinceladas de hip-hop e claro, dance music.

Dona de uma voz tão peculiar que deve ser ouvida em pequenas doses (daí a divisão do álbum, já percebi) para não irritar  não é por acaso que lhe dei o nickname de "Bezerra Rexha"  estava à espera de mais. Dito isto, existem rasgos de genialidade como "I Got You" (mantém-se como a melhor faixa do projecto), e "Atmosphere". O próximo single, "F.F.F.", leia-se Fuck Fake Friends  olá JoJo!  é uma clara tentativa de ganhar radioplay e... resulta, fica no ouvido. Agora é esperar pela Pt. 2 em Abril.


4. João Pereira  Echoes
MUST LISTEN: SOMEONE | JUST A BOY | DRUG | RESPIRO 

Sigo o João no Instagram há algum tempo e foi com um enorme prazer que aceitei o convite a ouvir o seu primeiro EP, Echoes, e dar uma opinião sincera. Confesso que estava um pouco reticente por se tratar de um artista português o que, supostamente, fugiria um pouco à minha "zona de conforto". Felizmente estava redondamente enganado. Assim que a faixa-título começou a tocar percebi que estava perante um trabalho extremamente rico e delicado.

Composto por sete faixas, este projecto bilingue é capaz de nos transportar numa viagem sensorial incrível. Por entre sonoridades melancólicas dignas de uma Lana Del Rey ("Someone") ou mais comerciais ("Yours"), há um elo comum que as une: a voz. Único e quase andrógeno, o timbre do vocalista é um dos pontos mais fortes desta produção que aborda temas como relações complexas, desejos internos e claro, amor. Tendo em conta que estamos perante uma estreia, estou bastante impressionado com a qualidade musical.

Aprendam comigo e não alimentem o estigma contra os artistas portugueses. Podem ouvir o EP, Echoes, completo no Spotify (AQUI).

OUTROS ÁLBUNS A OUVIR (AQUI)

Já ouviram algum dos quatro álbuns/ep's? Qual é o vosso favorito?

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