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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #30



SINOPSE: Balthazar Bratt, um ex-actor infantil que cresceu obcecado pela personagem que interpretou nos anos 80, revela-se um dos maiores inimigos de Gru até hoje.

OPINIÃO: A Universal Pictures encontrou uma verdadeira galinha de ovos de ouro na franchise "Despicable Me" que, além dos filmes da saga original, já teve direito a um medíocre spin-off com os Minions (lamento mas já não os suporto). Todos eles foram um sucesso de bilheteira, incluindo este terceiro volume que apesar de MUITO menos piada que os anteriores, conseguiu cativar o público à volta do mundo.

Confesso que adorei o primeiro e fiquei chocado com o facto do segundo manter o grau de qualidade. Infelizmente isso caiu por terra neste Despicable Me 3. O seu principal pecado é a incapacidade de cativar o espectador. Não digo que as produções anteriores fossem o santo graal da comédia, mas este esmera-se pela negativa. 

As atenções centram-se numa aventura pouco promissora e liderada por um gru que, infelizmente, pouco ou nada contribui para a acção central que é, por si só, extremamente fraca. Sinceramente penso que só não dei uma cotação inferior porque me afeiçoei às personagens, se não...




SINOPSE: Após terminar uma relação, uma mulher convida a mãe a passar uams férias na América do Sul. O que eram para ser as férias mais divertidas de sempre acabaram por se tornar num verdadeiro pesadelo.

OPINIÃO: Sou uma das poucas pessoas que ainda acha piada à Amy Schumer e gosta genuinamente dela. Dito isto, não podia ter ficado mais desapontado com o escandalosamente fraco Snatched.

Protagonizado pela Schumer e a icónica Goldie Hawn, é incrível como a química que ambas demonstram em várias entrevistas não transpareceu, de todo, para o grande ecrã. A Hawn foi tão mal aproveitada que chega a ser criminoso. Ao menos não são dois nomes ultra-saturados de Hollywood.

Com um argumento tão mau e, por vezes, excessivamente absurdo, não há muito que o duo de actrizes pudesse fazer para salvar esta desgraça. A história do desajeitado par formado por mãe e filha que, em conjunto, tentam escapar de uma série de situações pouco felizes, podia ter corrido bem se ao menos tivesse como base algo... com qualidade e coerência. Existem vislumbres de momentos cómicos que apesar de eficazes, pouco ou nada conseguem disfarçar a confusão geral que está a acontecer. Em suma, não percam tempo a ver isto.






















SINOPSE: Antes de ser a Wonder Woman, Diana era a princesa das Amazonas, treinada para ser uma guerreira invencível. Criada numa ilha protegida do mundo exterior, é quando um piloto americano cai nas suas águas e fala sobre o enorme conflito que acontece no mundo, que a jovem deixa a sua casa, determinada a parar essa ameaça. A combater ao lado de homens numa guerra para acabar todas as guerras, Diana vai descobrir a capacidade máxima dos seus poderes e o seu verdadeiro destino.

OPINIÃO: Incrível como existem filmes que marcam uma época. Este é um deles. Depois de meio século temos novamente uma directora a ser premiada em Cannes. Temos blockbusters protagonizados por mulheres, e uma forte iniciativa para que actrizes e directoras tenham os mesmos benefícios que os seus respectivos masculinos. É por tudo isto e muito mais que Wonder Woman é importantíssimo.

Não é o primeiro filme estrelado por uma super-heroína. Tivemos Catwoman (2004) e Elektra (2005), mas ambos fiascos dirigidos por homens que fizeram passar a imagem aos estúdios de que não valia a pena investir em histórias no feminino. A própria directora, Patty Jenkins, teve de esperar 14 anos para voltar a dirigir uma longa-metragem, depois do excepcional Monster que valeu a Charlize Theron o Óscar de Melhor Actriz.

As expectativas eram altíssimas e Wonder Woman não desapontou. Francamente superior às últimas produções do universo DC, o único ponto negativo é mesmo o tempo. Quando este chega ao ponto em que já não existe nada a provar, a protagonista cede aos clichés do género cinematográfico. Isto é, tropeça na previsibilidade amorosa e um confronto final mediano, onde os efeitos especiais voltam, novamente, a ser figura central. Não podia terminar sem antes referir a brilhante prestação da Gal Gadot que mergulhou de corpo e alma na personagem. A sua postura e olhar ingénuo transmitem vulnerabilidade mas, quando entra em modo de acção, o resultado é bastante convincente. Sem dúvida uma das surpresas do ano.










 
SINOPSE: Após o naufrágio do navio cargueiro que vitimou a sua família e a grande maioria dos animais do seu Zoo que iam a bordo, Pi fica à deriva no Oceano Pacífico com uma hiena, um orangotango, uma zebra e um tigre de Bengala.

OPINIÃO: Nem acredito que ao fim de cinco anos finalmente consegui ver o Life of Pi! Vencedor de quatro Óscares, A Vida de Pi, na versão portuguesa, leva-nos numa viagem pela descoberta do divino, sem nunca se revelar insistente. Face à infelicidade da perda e a luta para descobrir os vestígios da existência de um Deus vigilante, Pi apercebe-se que a sua possível sobrevivência está intrinsecamente ligada a uma improvável conexão com Richard Parker, o tigre de Bengala.

Ang Lee tem a capacidade de tocar no espectador, seja pela delicadeza com que relata esta amizade improvável entre um rapaz perdido no seu próprio mundo e um animal sedento por sangue. Não só é um trabalho emocionante como a nível visual estamos perante uma produção que roça a perfeição. Os animais em CGI são tão realistas que não podia acreditar no que os meus olhos estavam a ver. Da construção do naufrágio às tempestades marítimas, tudo resulta em perfeita harmonia com o argumento e a sua capacidade de criar um certo desconforto e aflição.

A opinião final sobre Life of Pi vai, sem dúvida, depender da sensibilidade de cada um ao tema em questão. É uma obra que não nos força a aceitar uma visão do mundo e de Deus de uma forma singular, mas que dá a liberdade total ao espectador de acreditar naquilo que decidir. E se acreditar, vai ficar rendido.


Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A curiosidade matou o gato?


A curiosidade é uma qualidade altamente subestimada pelas pessoas. A maioria acredita que não é algo positivo uma vez que, fazer várias perguntas pode ser problemático e, como diz o provérbio: "A curiosidade matou o gato". Se assim for, o prazo de validade das minhas vidas deve estar prestes a expirar.

Todos nós passamos pela idade dos "porquês", a diferença é que para alguns essa fase não passou. Desde muito novo que sempre fiz pergunta atrás de pergunta sobre tudo e mais alguma coisa. Se não me respondiam ou tentavam despachar-me com algo pouco convincente, massacrava-os até obter uma justificação digna da minha validação. Era isso e andar a explorar cenários ou acções para descobrir qual seria o resultado. Posso dizer que numa dessas actividades exploratórias houve uma colher e um leitor de cassetes envolvido. Mais não digo.

Geralmente confundida com cusquice, esta necessidade de saber mais está completamente enraizada na minha personalidade. É como se fosse uma comichão que não passa até ter respondidas todas as questões que considerar relevantes. Quando entramos em modo Curious George aumentamos a nossa capacidade de observação e temos mais consciência do que está a acontecer ao nosso redor. Confesso que peco imenso por isto. São incontáveis as vezes que estou no café com os meus colegas e enquanto eles falam, os meus olhos e ouvidos estão atentos a cada movimento e conversa nas redondezas.

Como não gosta de regras e prefere caminhos menos convencionais e espontâneos, a curiosidade pode ser tramada. Especialmente se forem o alvo de interesse. Durante muito tempo a minha namorada interpretava as minhas questões como uma espécie de interrogatório. Correcção, ela ainda o faz. A verdade é que sim, quero saber as respostas mas não, não é com esse intuito. Simplesmente sou uma pessoa interessada e gosto de ter acesso a todas as informações possíveis. Talvez seja por isso que sou o primeiro a partilhar tudo com quem considere que o deva fazer. Compreendo que para os comuns mortais isso não faça sentido e possa soar como uma valente desculpa para ser um alcoviteiro, mas não é.

Não nego que adoro uma boa fofoca, mas não é esse o principal objectivo desta viagem pelo conhecimento. A cima de tudo, gosto de estar preparado para qualquer situação. Aliada à minha desconfiança geral com o mundo, se tiver em minha posse informações sobre algo em específico, nem que seja a opinião sincera de alguém, consigo antever os seus passos e precaver-me se necessário. O facto do meu discurso estar a soar um pouco ao de um sociopata é pura coincidência.

Chamem-me de quadrilheiro ou simplesmente chato, mas não me parece que vá conseguir mudar esta minha maneira de ser e ver as coisas. Se não estiver à vontade com vocês sei controlar-me mas caso contrário, sou um descarado que não tem qualquer problema em perguntar directamente aquilo que quero saber. Nem que seja sobre algo absurdo como "Se tivesses que escolher entre ser cega ou muda, qual escolhias?". Sinceramente penso que é preferível a ser um desinteressado de primeira, sem qualquer vontade de questionar nem que seja a si próprio.


Consideram-se curiosos? Confessem lá, são cuscos?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

MOVIE LOUNGE ⤫ BLADE RUNNER 2049 (2O17)


Considerado por muitos como o melhor filme de ficção científica de sempre, e um dos pioneiros no estilo neo-noir, Blade Runner (1982) voltou a materializar-se no grande ecrã. Trinta e cinco anos depois da obra-prima de Ridley Scott, a sequela realizada pelo canadiano Denis Villenueve surge como um alívio personificado ao prolongar e reinventar o universo original.

A acção toma lugar trinta anos após os acontecimentos em Blade Runner: Perigo Iminente, na versão portuguesa. Humanos e replicantes continuam a coexistir, embora a linha que os separa seja cada vez mais ténue. Os Blade Runners continuam a perseguir e "reformar" replicantes ilegais mas, até que ponto serão estes alvos realmente robôs? E afinal, quem é verdadeiramente humano? A premissa original de Hampton Fancher e David Peoples é, assim, preservada.



Não é segredo o meu amor pelo original e desagrado com as notícias de uma sequela (AQUI). Dito isto, tenho que dar a minha mão à palmatória e admitir que Blade Runner 2049 esforçou-se ao máximo para manter a visão de Ridley Scott. Através de paisagens futuristas, fruto de um genial trabalho de fotografia (Roger Deakins) e cenografia (Dennis Gassner), é assegurada a ambientação sombria e iluminação néon que tanto cativaram os fãs desde a década de '80.

O argumento não é revolucionário, mas oferece ideias que nos deixam a remoer a perpétua problemática do que significa estar vivo e consciente. O ritmo da narrativa é lento, algo arriscado num filme de quase três horas, mas os pontos altos justificam tal decisão. Confesso que nem dei pelo tempo passar. Estava de tal modo imerso na acção e maravilhado com a vertente visual que pouco me importou o facto de nem ter tido tempo para almoçar antes da sessão.


O principal problema desta produção prende-se ao casting. O elenco até é bastante a cima da média, mas existem duas escolhas que... não compreendo. Como temi desde o início, Ryan Gosling não se insere propriamente bem nesta temática. Tudo se resume a uma questão de gosto pessoal, mas é impossível não perceber que o actor assumiu uma espécie de "piloto automático" que parecia não ter percebido que o seu agente K, o protagonista, estava a viver um conflito interno sobre a questão da existência ou não da alma. Não posso revelar spoilers portanto permitam-me esta análise superficial. Digamos que para alguém que desenterra um segredo potencialmente perigoso para o equilíbrio da humanidade, falta ali qualquer coisa.


Ana de Armas foi uma autêntica revelação. Confesso que não estava familiarizado com o seu trabalho mas, tal como a maioria dos espectadores, fiquei rendido à sua performance fantasiosa de Joi. Aliás, praticamente cada vez que partilhava a cena com Gosling, afastava os holofotes dele e direccionava todas as atenções para ela. O mesmo acontece com o regresso de Harrison Ford, atirando o actor de La La Land (e o canastrão Jared Leto) para fora das luzes da ribalta. Não há qualquer dúvida de que Joi e Deckard são as personagens mais fascinantes desta longa metragem. De realçar ainda pela positiva a Robin Wright e Sylvia Hoeks.


Por muito que dispensasse uma sequela, não vos consigo descrever o que senti assim que a primeira frame aparece no ecrã e a música começa a ecoar pela sala de cinema. A banda sonora de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch é simplesmente mágica e transportou-me de imediato para a primeira vez em que vi Blade Runner, numa aula de Psicologia, há alguns anos atrás. Foi quase bizarro por sentir nostalgia de algo que nunca vivi, pelo menos na época certa. 


Blade Runner 2049 não chega aos calcanhares do irmão mais velho, mas é uma relíquia visual que merece ser vista de olhos bem abertos. Por ser um filme tão difícil como o primeiro, arrisca-se a ter uma recepção igualmente pouco interessada do grande público, mesmo com um elenco apelativo à la Hollywood e das várias reacções positivas.


Classificação IMDb: 8.6/10
Classificação Ghostly Walker: 8/10


Já viram o filme? Conhecem o original? Se sim, qual o vosso favorito?

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