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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Auto dos Transportes do Inferno

Desde que terminei a licenciatura, há quase três anos atrás, que deixei de utilizar transportes públicos com regularidade. Na semana passada tudo mudou e na minha rotina voltaram a entrar o belo do autocarro, comboio e metro. Que suplício. 

Posso vos dizer que já vi de tudo. Gritos, marmelanços, discussões que resultaram em estalos, pessoas a cair e até outras que ladravam  não estou a brincar e sim, no plural. Por muito que sejam, geralmente, uma alternativa melhor ao automóvel, a verdade é que ter que somos forçados a lidar com indivíduos sem qualquer educação ou senso comum. É nesse intuito que surge esta compilação de 10 situações com que lido todos os dias. Aproveito para agradecer à minha namorada pelo título genial.

#1. Falar alto ao telemóvel
Nunca me hei de esquecer de uma viagem para Lisboa passada ao som de "castanho mel". A senhora atrás de mim levou meia-hora a falar sobre a sua nova coloração de cabelo. Na altura fiquei a saber o nome da amiga, os planos para o fim-de-semana e das fotos que ela lhe ia enviar com o novo look. Com música ou não, era impossível escapar ao massacre castanho mel.

#2. Grupos de amigos que falam alto
Durante a Universidade costumava ir de comboio com amigos e nem por isso falávamos como se estivéssemos numa taberna. Infelizmente nem todas as pessoas parecem importar-se e quando de juntam, são piores que uma família de hienas. Além de irritante, dá vontade de mudar de carruagem.

#3. Ouvir música sem fones
Quem é que nunca levou com chungas e os seus telemóveis a bombar música de horrível? Até podia ser a melodia mais bonita do mundo, mas não quero saber quando me é enfiada goela a baixo e aos altos berros. Nem aumentando o meu som conseguia abstrair-me do bo tem mel e companhia. Passo a viagem inteira a imaginar cenários em que os apedrejava com o telemóvel.

#4.  Não respeitam o teu espaço
Nos comboios da Fertagus os lugares são todos de quatro, sendo o mais cobiçado o lado da janela que vai "de frente". De manhã costumo consegui-lo sem problemas, mas a minha paz e sossego nunca dura muito tempo. Numa carruagem repleta de lugares vazios, as pessoas parecem sentir-se atraídas pelo meu "quadrado" e sentam-se ao meu lado/à minha frente. Devo ter mel. Até aí, vá, que remédio. O problema é quando se amontoam em cima de mim. Se for alguém mais largo é uma coisa, mas em 99% das vezes não é esse o caso. Resultado, eu que já lá estava, ou fico a viagem inteira colado à pessoa ou acabo esmagado contra a parede. No Verão então, é terrível.

#5. Ficam hipnotizados a olhar para nós
Se já tiveram a má sorte de apanhar um comboio ou autocarro na hora de ponta, sabem que a quantidade de pessoas que têm que ir em pé, é desumana. Alguns desses indivíduos ficam o tempo inteiro a olhar para quem vai sentado, do género "Seu sacana, não me dás lugar?" Não. Além disso, se pertenceram à categoria "idosos, grávidas ou deficientes", têm lugares especificamente para eles, não me chateiem. Lamento imenso mas esforço-me bastante para conseguir um lugar. Quando não acontece, fico em pé e olho para as janelas, não para a cara as pessoas.

#6. Andam como zombies
Este é possivelmente o ponto que mais me irrita. Detesto. Gente. Lenta. Todos os dias acontece a mesma coisa, o comboio chega, as portas abrem-se e assim que a pessoa que vai à frente sobe as escadas e vê que tem o seu lugar assegurado, perde a vontade de viver. É tão frustrante ir atrás dela e ver que do outro lado da carruagem, estão a ser mais rápidos e os lugares, outrora disponíveis, começam a esgotar-se. Juro que parecem criaturas saídas do Walking Dead. Só me falta é uma espada para dar cabo deles. Que raiva!

#7. Peço licença para sair e não se levantam
Uma coisa é no comboio em que existe espaço o suficiente para conseguir sair, mas num autocarro em que os lugares são duplos, não. Já me aconteceu ir no lado da janela, pedir licença para sair e a pessoa moveu os joelhos para o lado. O esforço que tive que fazer para não me deitar em cima dela foi ridículo. Fiquei possesso e com pena de não ter coragem para a destruir como um furacão com a minha passagem. Custa muito levantar o rabinho?

#8. Mascar pastilha elástica de boca aberta e com barulho
Em qualquer situação, mascar pastilha elástica de boca aberta é um big no no, mas quando estamos presos num local e não podemos fugir, é ainda pior. Ainda no outro dia me aconteceu isto. Tenham em atenção que estava com fones a dar música alta, e mesmo assim conseguia ouvir cada viragem da maldita pastilha na língua do labrego.

#9. Cortar as unhas
Não sei se me sinto mais miserável por escrever isto ou por ter presenciado este espectáculo mais que uma vez. A primeira (de muitas) foi às 7h30 da manhã, no comboio. Uma mulher senta-se a uns quantos lugares atrás de mim, saca do corta-unhas e começa o serviço, saltando os restos para todo o lado. No meio do comboio! Como é que é possível alguém achar que isto é aceitável? Durante uma temporada, semana sim, semana não, aquela criatura grotesca fazia a mesma rotina. Quando me cansei da situação e decidi que se a voltasse a ver diria algo, deixou de apanhar o meu comboio. Pergunto-me se finalmente entendeu os meus olhares acusatórios. Porca.

#10. Tirar macacos do nariz
A sequência de eventos que se segue não é para os estômagos mais sensíveis. Numa bela manhã em que o sol raiava lá fora, um homem senta-se à minha frente e, acreditem ou não, em slow motion, coloca o dedo indicador esquerdo na narina do mesmo lado. Fiquei perplexo. Rodou um bocado para um lado, para o outro, retira-o revestido de algo que não merece descrição, enrrola-o nos dedos e sacode-o para fora. QUE NOJO! Vomitei três vezes na minha boca e jurei vingança à sua aldeia. Devo ter sido um grande traste em outra vida para merecer isto.


Já presenciaram situações destas? Gostam dos transportes públicos?

26 comentários:

  1. Magoa-me que não tenhas mencionado aqueles que estavam a discutir no Campo Pequeno e a mulher cuspiu na cara do homem. "Achas que sou uma porca?!" Cuspidela nele!

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    1. Pensei que fosse uma cuspidela mas fiquei na dúvida, na volta era mesmo!

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  2. Andar de transportes público é uma saga sempre tão interessante ahaha! A última que presenciei foi um sr idoso a discutir com o motorista pelo simples facto do percurso ter mudado. Podia ter saído e apanhado outro autocarro, podia mas decidiu continuar viagem a discutir com o motorista, como se este tivesse culpa da TST ter mudado os percursos das carreiras.
    É com cada uma!

    Beijinhoos****
    Cantinho da Suu

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  3. Eu devo ter muita sorte, nunca ninguém se senta onde eu vou, nunca ninguém come macacos ou cortas as unhas. A do telemóvel sem fones ninguém se safa!!
    O pior que me aconteceu, que foi mesmo mau, foi ter um homem a olhar para mim e a acariciar-se quando eu tinha para aí 13 anos, mudei de lugar e ele saiu na estação seguinte #Creepy

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    1. Wow isso é horrível. Ainda por cima só tinhas 13 anos!

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  4. JURO que ainda ontem escrevi um tweet a perguntar qual era o nome para esta doentia atracção das pessoas por cortar as unhas em transportes públicos. E depois apercebi-me que quase ninguém tinha passado pelo menos (sorte a delas) e senti-me castigada por forças divinas por ter de passar por este inferno nojento. Agora a ler a tua publicação até bati palminhas quando vi que não sou a única a sofrer. Já me aconteceu no autocarro, no comboio, tudo pessoas diferentes. Só o som do corta unhas (que parece que fazem de propósito para soar super alto) enoja-me e enerva-me ao mesmo tempo. O meu instinto vilão apodera-se de mim e dá-me vontade de arrancar as unhas deles à galheta. Aff!

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    1. Também pensei que fosse o único a presenciar este tipo de comportamentos! Sempre que falo sobre isto com alguém, fico com a sensação que acham que estou a inventar. Como te compreendo, o som do corta-unhas parece amplificado ao máximo, é um nojo!

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  5. Adorei esta lista. Já me aconteceu praticamente tudo. Quanto ao não se levantar e desviar apenas os joelhos para o lado, confesso que já o fiz porque a pessoa que estava do lado da janela decidiu levantar-se numa altura péssima. O autocarro ia a alta velocidade, numa curva e eu estava carregadíssima, já para não falar do autocarro apinhado. Por isso aquela foi a minha reação. Mas não é meu costume.
    Quanto ao cortar as unhas, acho que há muita gente que acha isso aceitável (não sei como) porque já vi, não em transportes públicos, mas noutros espaços. O pior de todos acho que foi numa igreja. É uma falta de respeito tremenda.

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  6. oi, oi.

    sem dúvida alguma, ouvir músicas sem o bendito fone é a pior coisa. eu sempre ando com o meu porque nunca sei quando irei encontrar algum doido no ônibus. hahaha.

    infelizmente, todos os dias faço uso dos ônibus pra ir à faculdade. Graças a Deus ano que vem isso acaba, enquanto isso, vamos lá continuar convivendo com todos os itens da tua lista. =/

    abç!
    Não me venha com desculpas

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  7. Hahahaha! Achei o post super descontraído apesar das situações chatas que passou. Já passei por algumas delas.

    http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/

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  8. Ouvir música sem fones é uma constante na linha de Sintra, e ainda por cima não é o meu género... :p

    3200 DEGREES ♥ || INSTAGRAM || FACEBOOK

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  9. Raramente ando de transportes públicos... mas acredita que por muito maus que possam ser os seus utentes em Portugal, os franceses dão-lhes 10 a 0 (sobretudo no que diz respeito aos odores corporais)

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  10. OBRIGADA! Nem sabes o quanto te compreendo. Mesmo. Já me aconteceu quase tudo (tive a sorte de me escapar a cortadelas de unhas e a limpezas de nariz)! Outra das coisas que me faz uma confusão desgraçada é no Inverno, quando está metade do autocarro com gripe mas fazem questão de ir com as janelas todas fechadas - porque é muito bom andarmos a respirar o ar uns dos outros. E quanto à questão do espaço, tenho cá para mim que há pessoas que só querem irritar. Muitas vezes ia carregadíssima para a faculdade (consequentemente punha as coisas no banco junto ao meu) e, havendo imeeensos lugares vazios, as pessoas faziam questão de me fazer ficar tipo sardinha em lata com as minhas tralhas só para se virem sentar ao pé de mim.
    Adorei o post (e a imagem, haha!).

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    1. É que é mesmo isso, só para irritar. Não percebo porque motivo preferem incomodar outras pessoas em vez de aproveitarem lugares vazios.

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  11. No Porto apanhamos mais é discussões a alto e bom som haha! :P

    POKÉMON ESTÁ DE VOLTA!

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  12. Posso acrescentar?
    Acho que falta mencionar o caso das gordas que se passam por grávidas só para obterem lugar. Depois de o conseguirem, à pala de alguém que vai levantado para lhe dar lugar, ainda goza a dizer "ora toma amiga, que assim já vale a pena ser gorda, já passo por grávida e vou aqui sentadinha". O gozo totaaaal. Bom, mas não é tudo.
    Falta também o caso em que a senhora louca, mal-cheirosa e com uma peça de roupa de cada nação se senta ao teu lado. Num autocarro tira o seu tupperware e come a sua sopa... azeda como tudo!! E ainda te oferece o caminho todo, enquanto tu olhas chocado, a pensar que a qualquer momento, numa próxima curva será a vez de levares com a sopa toda porque ela nem consegue levar bem o recipiente. Ela vai o caminho todo a oferecer-te sopa e a pedir desculpa por isso "porque há pessoas que não gostam que se coma sopa no autocarro". A sério que existe?! E isto são algumas histórias... Só quem anda de bus é que sabe o que lá vai dentro...

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    1. Tinha conhecimento das falsas grávidas, mas comerem sopa no autocarro é no mínimo caricato haha.

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  13. Andar nos transportes públicos é sem dúvida uma grande aventura! De todas as que mencionaste acho que ainda só não vi foi pessoas a cortarem unhas e a tirarem macacos do nariz (pura sorte, espero nunca vislumbrar tais acontecimentos). Vou ainda acrescentar alguns episódios que também se pode testemunhar na linha de Cascais (desengane-se quem achar que isto é uma linha de tios, nada podia estar mais enganado):
    - Revisores aparecerem apenas nos comboios que param em todas as estações (que vão sempre muito mais vazios e cujos passageiros por norma pagam sempre os bilhetes)
    - Cenas de intimidação policial com grupos de pessoas de cor (tudo bem que às vezes são pessoas com ar de quem vai armar confusão, mas outras vezes são apenas os polícias a serem racistas)
    - Estufa numa carruagem do comboio da meia-noite (não era suposto as carruagens terem detetores de fumo?! Não é animador pensar que podemos morrer incendiados numa viagem, digo eu)
    - Gente bêbada a cantar aos altos berros e a incomodarem toda a gente no comboio das 7h (porque é que não põem cancelas na estação de Santos é uma questão que ainda não consegui perceber)
    Enfim, há gente mesmo capaz de tudo, devia haver mais controlo policial, mas esses também não se querem chatear muito.

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  14. Não sabes o quanto eu e os meus amigos nos rimos ao ler o teu post, especialmente com os dois últimos tipos, que felizmente nunca apanhei em transportes públicos! De todos esses, os que odeio mais são sem dúvida os chungas, e o grupo de amigos barulhentos. Não sou violenta, mas vontade de lhes atirar com um sapato à cara não me falta!

    Muito bom!
    xx

    http://diariodeumafricana.blogspot.pt

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  15. GENIAL ahaha ri-me imenso com esta tua descrição - durante o secundário e a faculdade andei sempre de transportes públicos mas confesso que o pior eram mesmo os maus cheiros, os gunões a ouvir música e as pessoas mal-educadas, nunca passou disso :p

    Jiji

    * GIVEAWAY - Ganha um Colar + Pulseira + 3 anéis da Coolares *

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  16. Essa de cortar as unhas por acaso nunca apanhei, mas há mesmo gente sem noção!xD

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  17. Como eu me revejo neste post. Durante oito anos a minha rotina foi comboio-metro até ao trabalho e depois de regresso a casa. É tão verdade tudo o que falas! Cheguei a deparar-me com situações bem caricatas!

    Mas depois há aquelas questões que incomodam mesmo! Como aqueles que não têm noção de espaço partilhado e falam alto, ouvem música alto, estivam-se nos bancos sem deixar espaço para as outras pessoas... E depois ainda há os mal educados, que dizem asneiras a torto e a direito mesmo estando crianças ao lado, que mandam bocas, que acham que podem amedrontar quem está por lá... enfim... ainda falta muito até termos um sistema de transportes públicos decentes, frequentados por pessoas decentes!

    nem mais nem menos | Facebook | Instagram

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  18. Andei durante uns 7 anos diariamente de transportes públicos e apanhava os mesmos que tu: autocarro, comboio e metro! Perdi muitas horas da minha existência nessa vidinha, e poucos foram os momentos bons que retirei. Apanhei quase todas as situações que descreveste (menos alguém a tirar macacos do nariz, acho eu) e a que me irritava mais era mesmo a malta que metia a música no telemóvel. Tinha sempre vontade de me levantar, ir ter com a pessoa, sentar-me ao pé dela e perguntar-lhe só "porquê? porque é que fazes isto?" No metro irritavam-me muito as pessoas que se metiam em frente à porta para entrar, e que não se mexiam para te deixar sair. Por outro lado, faziam-me sempre rir os velhotes que corriam atrás da porta do comboio (antes de ele parar a 100%) com medo de não conseguirem entrar e que não enxergavam que vinha uma porta logo depois se eles ficassem masé quietinhos.
    Aiiiiii filho, tanta coisa há para dizer sobres transportes públicos.

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  19. Também já apanhei pessoas a cortar unhas em autocarros. No expresso, durante umas 3 semanas, a mesma pessoa sentava-se sempre ao meu lado a ler um jornal, mas a ocupar 1 lugar e meio com os braço.

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  20. Realmente, a ideia da tua namorada para o título de post foi mesmo de génio. Isso de pessoas a falarem alto ao telemóvel é o mal de qualquer transporte público. Eu às vezes pergunto-me se estão a falar para alguém do outro lado do Mundo para estarem a falar tão alto. Eu costumo refugiar-me nos lugares na parte de trás do autocarro que, a não ser que esteja lotado, acabam por serem evitados pela maior parte das pessoas. Só assim é que consigo manter o meu espaço pessoal intacto. Nunca vivenciei nada como as tuas últimas situações - e espero solenemente que não venha a assistir a nada como isso - mas vê-se com cada coisa nos transportes públicos. Se não fosse pelas distâncias e pelo tempo, eu andava mas era a pé.

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  21. Quando chegar os dias mais quentes, vais apanhar um belo cheiro "a cebola" ou a perfumes baratos a tentar esconder o cheiro a quem não toma banho há 2 semanas, prepara-te :P

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