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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Nascemos para trabalhar?


O ano mal começou e o número de pessoas que já faleceram relacionadas directa ou indirectamente comigo, dentro do contexto laboral, continua a aumentar. Parecendo que não, este tipo de acontecimentos afecta-nos. As reacções variam conforme o grau de proximidade ou estado emocional de cada um. A mim fez-me voltar à idade dos "porquês". Não é que este tipo de questões nunca me tenha passado pela cabeça, porque passou, mas ultimamente sinto que se mudou de malas e bagagens. Afinal, qual é o nosso propósito no mundo?

Asseguro-vos que não estou a ter uma breakdown, simplesmente senti necessidade de tentar colocar por escrito o turbilhão de ideias que me têm vindo a consumir. Se pensarmos bem no assunto, o maior propósito que nos foi incutido, independentemente de gostarmos ou não do que fazemos e da nossa vocação, é trabalhar. Consegue superar pilares considerados fundamentais como família ou encontrar "o amor". Por muito que tentem defender o contrário, contra factos não há argumentos. Assim que nascemos começa um longo processo educacional cujo propósito é dar-nos as ferramentas necessárias para singrar num possível emprego de topo. Sim, claro que nos ensinam a viver integrados em sociedade e outras skills importantes, mas o principal objectivo mantém-se intacto.

Numa primeira instância, somos conduzidos pelos progenitores, depois por professores e mais tarde por patrões, a querer/fazer sempre mais e melhor. Atenção, compreendo perfeitamente e não sou ingrato pelas oportunidades que tive. Tornei-me na pessoa que sou, ambiciosa e perfeccionista, precisamente por esse molde social. Mas será isso o mais importante? Ao fim ao cabo não somos mais que um número. Uma fracção da máquina capitalista de fazer dinheiro para os outros, sem raramente o conseguirmos gozar. O que é que ganhamos com isso além de cobrir as despesas mensais e tentar juntar uns trocos se sobrar algum?

Cada vez mais entendo e aprecio as pessoas care-free que fogem à norma e conseguem viver longe das pressões que nos envolvem diariamente. Um dos meus maiores desejos é exactamente este, aprender a let go e não me deixar consumir por coisas que não valem a pena. O dinheiro controla o mundo mas não é por acaso que dizem que as melhores coisas na vida são de graça. At the end of the day o que é que somos? Como diz um colega meu, "nada". Há que saber aproveitar os bons momentos e tentar abstrair dos problemas. De que nos vale seguir a norma e fazer tudo "como é suposto", se depois basta uma doença inesperada para varrer a nossa existência? Divirtam-se. Passeiem. Namorem. Cometam loucuras. Comprem aquele par de sapatos sem pesos na consciência. Sejam felizes. Não passamos de seres humanos a tentar sobreviver a este labirinto a que chamamos vida.


De uma maneira geral, estamos mais focados em ganhar dinheiro do que a aproveitar a vida?

12 comentários:

  1. Bom dia Ricardo tudo bem?
    Estamos com o mesmo pensamento. Esses dias também comentei com meu marido ' nascemos só para trabalhar?'
    E por aí foi a conversa...eu acredito que varia de pessoa pra pessoa. Alguns só pensam em dinheiro mas nunca tem nada, outros conquistam o dinheiro com muito suor e tem muita coisa, já outros tem milhões mas não tem felicidade....difícil....

    Beijinhoss'♥
    Blog Resenhas da Pâm➹

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  2. Não sei se a questão é bem o ganhar dinheiro ou o "ser útil", honestamente. Também tenho pensado muito nesta questão...na minha perspectiva acho que o que nos é incutido é que só podemos ter uma vida completa se formos bem sucedidos no nosso trabalho, que só assim é que podemos ser felizes por sermos "úteis". Que dizer que alguém é muito "trabalhador" é o melhor elogio que podes fazer...e isto, como dizes, parece-me tão redutor. A vida é tanto mais do que isto. E contra mim falo, que consigo racionalizar o assunto desta forma mas na realidade também vivo por esses princípios. Mas bom, também separo as coisas e digo: trabalho para viver (ganhar o meu!), mas não vivo para trabalhar. E já fui criticada por dizer isto...enfim. Touchy subject. E acho que não disse nada de jeito neste comentário :p

    Jiji

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  3. Acho que hoje em dia cada vez mais as pessoas mais jovens pensam nisso. Acho que alguns julgam que é imaturidade porque com "a nossa idade" os nossos pais já tinham filhos e uma casa feita enquanto que hoje em dia as pessoas procuram mais viver experiências do que trabalhar e trabalhar para ter uma casa. Eu acho que é tudo importante e que é realmente uma pena quando passamos uma vida agarrados ao trabalho para depois não aproveitar nada...Obviemente que existem excepções e existem pessoas que piorizam o trabalho e é isso que as faz feliz e acho que nesse caso fazem muito bem.

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  4. E se pensares bem... é quase como uma nova forma de escravatura?

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  5. Acho que cada vez mais o mundo do trabalho nos empurra para essa ideia de que vivemos para trabalhar. São horas e horas no trabalho. Quando chegamos a casa, cansados e com pouca vontade de fazer alguma coisa, ainda temos de fazer mais e tudo isso se vai acumulando.
    Desde o estágio que me correu super mal que decidi que o trabalho não podia deitar-me abaixo mais vez nenhuma e assim tenho feito. Quando posso ir sair, quando posso ir almoçar com amigos, quando posso fazer algo que me faça feliz, faço e pouco me importo ou valorizo as chatices do trabalho. No final do dia e da porta para fora, acabou-se. :)
    let's do nothing today

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  6. Também admiro as pessoas care-free mas não ia conseguir, porque gosto do meu conforto =P Mas acho que essa mentalidade é mais marcada em Portugal. Já falei várias vezes disso no blog, em Portugal trabalhar é tudo, ter um emprego é uma sorte, as pessoas desunham-se a trabalhar e dar mais, mais e mais e horas que nunca vão ser pagas... para quê? Não vejo isso nos países por onde passo... o pessoal faz as suas horinhas e vai para casa, se trabalharem a mais são bem pagos (e mesmo assim, não gostam) e têm as suas folgas e as suas férias direitinhas...

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  7. Pessoalmente, sei que o trabalho é muito importante e nada se consegue sem dinheiro para pagar as contas mas adoro aproveitar a vida, passear, comer fora, experimentar coisas novas. Mas, muita gente não pensa assim, infelizmente.

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  8. Eu acho que por vezes estamos tão focados em ganhar dinheiro para aquele par de sapatos, aquele computador, aquele carro, aquela casa... que nos esquecemos de aproveitar a vida.

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    1. Sim, é exactamente isso que refiro. Vivemos tão focados em juntar dinheiro para isto e aquilo que nos esquecemos do que realmente importa. Uma pena!

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  9. Eu já fui mais "workaholic". Embora continue a trabalhar das 9:30 às 20:00 faço questão de aproveitar ao máximo quando saio da agência para fora. Quero tempo para mim, para os meus amigos e para a minha família. São estes três que nos dão mais sentido à vida.

    Cátia ∫ Meraki

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  10. r: Não tens nada de agradecer! Posso não ter justificado a razão de lá estares mas mereces o meu reconhecimento. Gosto imenso do teu blogue, da tua escrita e da forma como e o que partilhas :)

    Cátia ∫ Meraki

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  11. Adorei o post e é uma questão que também me costuma assombrar. Confesso que me questiono muitas vezes qual será o meu propósito na vida e alcançar o trabalho dos sonhos é um objectivo. Mas confesso que ao longo dos anos tenho tentado aproveitar mais a vida o momento e fazer as coisas que me dão prazer.. Gostava de um dia olhar para trás e sentir satisfação em todo o meu percurso e nas coisas que fui fazendo ao longo da vida..

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Obrigado pela leitura e comentário!
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