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domingo, 14 de maio de 2017

EUROVISION 2O17 ♥ PORTUGAL DID IT!


A 13 de Maio ocorreu um milagre, Portugal venceu o Festival da Eurovisão.

Num dia marcado pela visita do Papa a Fátima e a tetra-vitória do SLB, Salvador Sobral subiu ao palco em Kiev, na Ucrânia, e encerrou o serão com chave de ouro, ao arrebatar os corações (e votos) de milhares de europeus com a soberba canção "Amar Pelos Dois". Considerado por muitos como o país dos pequeninos, é impossível explicar o orgulho e alegria que senti quando vi a nossa bandeira manter-se intocável no primeiro lugar da tabela final desde o início da votação. E porque a ocasião assim o permite, ganhámos caralho!


Quem me conhece na vida real sabe a importância que a Eurovisão tem na minha vida. Sim, estou a falar a sério. A minha namorada que o diga, ela detesta isso em mim. Digamos que é o equivalente a qualquer competição futebolística mas menos irritante visto que só ocorre uma vez por ano. Fui criado numa família com a tradição de assistir a este espectáculo musical e não tenho vergonha de admitir que vibro, grito, canto e até danço se for preciso com alguns actos. Portanto, só comportamentos normais de um adepto de um clube qualquer. 


Se há coisa que não sou é hipócrita, admito que durante anos critiquei o facto de sermos o único país que se recusava a levar canções que não fossem em português. Aliás, cheguei a expressar o meu desagrado aquando da nossa primeira semi-final, em Fevereiro, no Facebook:
"Tenho estado a ver o Festival da Canção e... por amor de Deus. São baladas atrás de baladas, "cantores" medíocres e claro, tudo cantado em português, porque somos o único país que se recusa a evoluir".
O certo é que este momento de fúria chegou ANTES de ouvir o Salvador. Felizmente as publicações têm horas para comprovar que não estou a mentir. Aliás, tenho sido um ávido defensor da nossa canção tanto ao vivo como nas redes sociais, especialmente no Instagram. Tal como aconteceu com a "Senhora do Mar" da Vânia Fernandes, em 2008 — mantém-se como uma das minhas entradas portuguesas favoritas , assim que ouvi a melodia melancólica da "Amar Pelos Dois" e o #salvadorable cantou as primeiras notas, fiquei encantado e disse com todas as letras "esta vai ganhar". Claro que me referia à representação do país no concurso, mas as palavras ganham outra dimensão depois desta noite (estou a escrever este post de madrugada, daí a referência temporal).


Portugal foi o país que participou há mais tempo na Eurovisão sem nunca ter ganho. Estreámo-nos em 1964 com "Oração" de António Calvário e ao longo do anos, pisaram o palco nomes como Simone de Oliveira, José Cid ou Paulo de Carvalho. Lúcia Moniz deu a PT a melhor classificação, até à altura  foi em 1996 quando "O Meu Coração Não Tem Cor" conquistou o 6º lugar. Desde então, nunca mais nos classificámos nas dez primeiras posições e, desde 2010, nenhuma canção lusitana chegava à final. A música que Salvador e Luísa Sobral criaram em conjunto defrontou 25 concorrentes e saiu vitoriosa, tanto pelo júri como pelo televoto. Pensar que há alminhas que dizem que "foi tudo feito", como se alguma vez alguém quisesse ajudar o país pequenino, sem vizinhos e em crise.


"Amar Pelos Dois" é uma canção diferente de todas as outras. A simplicidade tanto do tema como do músico em palco contrastou com o aparato exuberante das restantes actuações  algo que, de resto, costumo criticar como podem ler na publicação do ano passado (AQUI). O jovem não precisou de cenários excêntricos, luzes psicadélicas, jactos de fogo ou roupa vistosa. Apenas de um palco, que nem sequer foi o principal. Afinal, é mesmo isso que está em análise, a canção.


Na conferência de imprensa após a primeira semi-final, Salvador disse que "A música é uma linguagem universal. Quando se canta com o coração, as pessoas compreendem. Quando é algo genuíno e não é plástico, as pessoas compreendem". Uma ideia que voltou a referir quando subiu ao palco para receber o troféu. Música com significado é uma arma poderosíssima que, infelizmente, tem vindo a dar lugar a produções populares manufacturadas. Não há nada de errado em apreciar esse estilo, até porque é aquele que mais consumo, mas é importante saber separar as águas e enaltecer o que é bom.


Ano após ano a torcer por Portugal, a verdade é que nunca acreditei que ganhássemos. O povo português está tão habituado a falhar ou chegar quase lá, que criou um pessimismo hereditário do qual também sofro. Claro que pensava "um dia, um dia vamos conseguir", mas nunca pensei que fosse mesmo acontecer, quanto mais agora. É incrível a onda de apoio e amor que esta canção, cantada na nossa língua, gerou por toda a Europa. Fico comovido e genuinamente feliz por ver que o nosso trabalho foi reconhecido em mais uma área na qual ainda não tínhamos conseguido brilhar, tal como aconteceu com a nossa primeira vitória no Campeonato Europeu de Futebol de 2016. Podemos ter muitos defeitos, mas muitas vezes não nos valorizamos tanto como devíamos.


Desta feita não me vou pronunciar afincadamente sobre os restantes países como é habitual. Posso adiantar que a Itália foi altamente roubada e em vez do merecido 2º acabou em 6º lugar; a Bulgária esteve fantástica, assim como o Reino Unido e a Bélgica. A Arménia, França, HungriaSuécia e Azerbaijão também eram das minhas favoritas, assim como a Islândia e Estonia que nem à final chegaram. Fechando o leque de preferências, entram ainda a Austrália, Polónia e Israel.

Sem me alongar muito mais, despeço-me com o meu TOP 10 pessoal, assim como os oficiais:
TOP 10 GHOSTLY:
1º. Portugal
2º. Itália
3º. Bulgária
4º. Bélgica
5º. Arménia
6º. Reino Unido
7º. Suécia
8º. Hungria
10º. França
TOP 10 JÚRI:
1º. Portugal
2º. Bulgária
3º. Suécia
4º. Austrália
5º. Holanda
6º. Noruega
7º. Itália
8º. Moldávia
9º. Bélgica
10º. Reino Unido
TOP 10 PÚBLICO:
1º. Portugal
2º. Bulgária
3º. Moldávia
4º. Bélgica
5º. Roménia
6º. Itália
7º. Hungria
8º. Suécia
9º. Croácia
10º. França
TOP 10 OFICIAL
1º. Portugal
2º. Bulgária
3º. Moldávia
4º. Bélgica
5º. Suécia
6º. Itália
7º. Roménia
8º. Hungria
9º. Austrália
10º. Noruega

Viram o Festival da Eurovisão? Quais foram as vossas músicas favoritas?

6 comentários:

  1. Eu desde criança sou fã do Festival e da Eurovisão, sempre tive a esperança de ver Portugal ganhar, mas era um sonho utópico e irreal. Felizmente aconteceu e em grande, tivemos a maior pontuação de sempre, foi surreal e emocionante ouvir e ver os resultados do júri europeu. Confesso que não acreditei na nossa canção, nunca duvidei da voz e nem do poema, mas a performance diferente fez-me torcer o nariz, era uma incógnita como a Europa iria reagir. Mas aos poucos rendi-me aos manos Sobral, o Salvador é único, mágico e irresistível, tanto na semi-final e na final, arrepiei-me e orgulhei-me como nunca. O Salvador honrou a música portuguesa e elevou como nunca a língua de Camões. Ontem foi um dos dias mais felizes da minha vida, o meu Benfica foi tetra e num 13 de Maio especial, Portugal ganhou a Eurovisão.

    Bitaites de um Madeirense

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  2. Eu sempre defendi que deveríamos levar algo nosso, que nos representasse, com sentimento. Daí o meu orgulho por esta música! Ganhar com uma música em português é um progresso!

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  3. Eu deixei de ver a Eurovisão no ano em que fomos representados pela Vânia Fernandes porque achei extremamente injusto o resultado, a canção estava poderosa. Este ano vi, até porque estando em França, podia votar no Salvador! E fiquei muito feliz com o resultado. Ver o festival na televisão francesa é de rir, porque os comentadores são bastante mauzinhos. Posso dizer-te que sobre o cantor da Suécia disseram que era extremamente antipático =P

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    Respostas
    1. Na altura fiquei tão desapontado, porque além de termos ganho o Prémio pela Imprensa, também éramos apontados como favoritos e terminámos em #13.

      Em relação ao cantor sueco, sem saber, já tinha comentado que ele me parecia antipático. Afinal tinha fundamento!

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  4. Eu era das que nunca via a Eurovisão, confesso. E sou das que defende que os países deviam cantar na sua língua materna, portanto tenho muito orgulho na nossa tradição tuga :) nunca pensei ficar tão feliz com isto - acho que foi mesmo porque fomos lá quebrar a corrente, levamos simplicidade para o meio do circo e mostramos como se pode voltar à boa música. Embora veja uma certa arrogância nas palavras do Salvador, dou-lhe razão: a música é mais um negócio do que sentimento, hoje em dia. E posso até consumir essa "música vazia", mas sei reconhecer uma boa canção quando a ouço. E esta é genial :)

    Jiji

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  5. Eu também sempre fui habituada a acompanhar o festival da Eurovisão. Além da música portuguesa, claro, as minhas preferidas eram as músicas da Moldávia e da Itália :) A música da Bélgica era super bonita, mas acho que a rapariga que foi cantar não conseguiu transmitir a mensagem.

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Obrigado pela leitura e comentário!
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