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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Monkey see, monkey do


Se há algo que nunca vou compreender são os seres que seguem as massas. Sedentos por aceitação ou inclusão de um todo, estão dispostos a ir contra os seus próprios princípios só para se integrarem, seja em que contexto for. Não se trata de prepotência, mas não consigo mesmo aceitar que alguém seja tão insonso e sem personalidade que se presta ao ridículo de beber cada palavra, acção ou mensagem de outrem que consideram como um modelo a seguir.

Este tipo de coisas acontece muito com as ditas "celebridades". Nos anos 80, que rapariga é que não se vestia como a Madonna? Cada vez que olho para fotografias da minha mãe e as amigas na altura dá-me uma enorme vontade de rir, mas é normal, faz parte do processo de crescimento. O problema reside quando a pessoa não cresce e desenvolve uma espécie de dependência que lhe impede de pensar por si própria. O que começa por ser uma empatia e apreço por um artista, muitas vezes acaba a roçar a linha da obsessão, podendo chegar a situações extremas como a perseguição ou invasão domiciliária. Mas isso já é outra conversa.

Compreendo que as "modas" têm que surgir de algum lado, mas há que perceber se estamos a seguir algo porque gostamos genuinamente ou porque toda a gente faz. É precisamente a segunda opção que me tira do sério. Sou um grande defensor da diversidade e, como tal, detesto ver rebanhos de opinião. Talvez seja por isso que ganho uma pequena aversão a produções ditas mainstream, e olhem que não sou hipster nenhum. Lembram-se da velha máxima d'o que é de mais enjoa? Ora nem mais.

Felizmente li os livros do "Hunger Games" antes de os transformarem num império capitalista astronómico, se não o mais provável seria não ter comprado nenhum e só ter visto os filmes agora que a febre passou. Este é um dos motivos pelo qual muitas vezes prefiro que os meus grupos undergound favoritos se mantenham longe dos holofotes e no anonimato mediático. Sei que é egoísta, mas fico incomodado quando algo se torna popular e de repente todos se lembram que aquilo é bom, quando anteriormente, se fosse preciso, criticavam e nem queriam saber. 

Um bom exemplo disso foi o que aconteceu agora com a Eurovisão. Após meses a tecerem comentários nefastos e a ridicularizarem o Sobral, foi preciso ganharmos para ele passar de drogado a Salvador da Pátria  see what I did there?. Como parece bem, agora a Eurovisão já não é tão ridícula e não só somos fantásticos como a canção é a "coisa mais linda de sempre". Bitch please. Uma coisa era ouvirem tantas vezes a música que começavam a gostar  algo que acontece frequentemente  outra  é isto. Coerência é algo que falta a muita gente.


Claro que não o vão admitir mas fica a pergunta, costumam seguir as massas?
Esta maneira de ser incomoda-vos?

6 comentários:

  1. Os rebanhos de opinião são salutares em alguns casos. Prefiro um país em que 90% das pessoas são contra a pena de morte do que um em que a opinião pública está mais dividida, por exemplo. Mas percebo o que queres dizer, porque passei a minha adolescência entre pessoas "de rebanho" e senti que nunca me enquadrei.

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  2. TAL E QUAL! Agora de repente, o festival significa algo para toda a gente...

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  3. Esse tipo de pessoa também me incomoda. Eu, curiosamente, tenho a tendência inversa. Se algo é adorado pelas massas eu afasta-me e analiso depois, quando a euforia já passou. Um bom exemplo disso é Game Of Thrones. Só durante o verão passado é que comecei a ver a série :P

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  4. Uau! Gostei imenso! Concordo contigo que a opinião em massa enjoa. Parece que as pessoas não têm cabeça para pensar por si próprias. Não vou dizer que não sigo as modas, e também acho que não há ninguém que não as siga, mas uma coisa é seguir por se gostar realmente, outra é seguir só porque "se usa" (e posso dar mil exemplos: pessoas a adorar o 50shades e depois nem uma palmadeca aguentam, usar tshirts que por alguma razão têm um top lá cozido em cima...). Numa época em que se valoriza tanto a diferença, não entendo porque é que ainda há muita gente a parecer uma verdadeira máquina formatada. Enfim, parabéns pelo post, está excelente.

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  5. ISTO! mal comecei a ler o texto lembrei me logo do assunto do salvador, e nem foi preciso o mencionar poque tiraste me as palavras da boca.
    confesso que nao era grande fã (acho a letra bonita, e adoro musicas slow portuguesas mas de resto meh, nao é como se ele tivesse descoberto a polvora - mas alguem tem noçao de musica portuguesa btw!? o que nao falta é isto! -. nao gosto da voz dele) mas este hype todo doido so me irritou e nao suporto o!
    eu literalmente vi imensas pessoas no meu feed e paginas do fb não só a gozarem mas a dizerem que tinham vergonha de ele nos representar e a musica era pra dormir bla bla, agora ja veem com sete pedras nas mãos dizer que ele é um genio musical (lol) e é o maior bla bla e ai de quem contradiga?! fdx, ao menos sou coerente. nao gostava, nao gosto, e nao vou gostar so porque ele ganhou.
    infelizmente portugal esta cheio de patriotas por conveniencia e de macaquinhos de imitaçao.
    eu sinceramente prefiro ser a ovelha negra, ou hater, whatever.
    o que mais me enerva nestes assuntos é que se tens opiniao contraria (e apenas o demonstras, nem ofendes ninguem) és logo um fdp, um nojento e outro rol de ofensas. ou seja tipico tuga, infelizmente.
    um bom exemplo disso é o que o rapaz da suecia disse sobre o discurso do salvador, (coisa que concordei) sem ofender ninguem e ate lhe deu os parabens, mas ja vi pessoal a desejar que ele morra. opá. ffs.

    excelente topico!

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